O governo pretende antecipar para maio o início do pagamento da correção monetária devida nas contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), resultado dos expurgos praticados na época dos planos Verão e Collor, disse o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. O início do pagamento, para o trabalhador que tem até R$ 1 mil a receber, está previsto para o mês de junho.
Dornelles reuniu-se ontem no Ministério do Trabalho com representantes das centrais sindicais para apresentar a minuta do termo de adesão proposta pelo governo. Preparada pelos técnicos do ministério e da Caixa Econômica Federal, o termo de adesão deverá ser assinado pelos trabalhadores para serem incluídos na forma de pagamento determinada pela Lei Complementar 110, que instituiu as fontes de recursos e o pagamento escalonado da dívida, que soma R$ 40 bilhões.
O ministro deseja que o termo de adesão seja distribuído em todo o País a partir do próximo mês. Segundo Dornelles, o trabalhador poderá assinar o termo de adesão mesmo antes de saber quanto irá receber. É que a Caixa Econômica Federal só terá condições de fornecer essa informação depois de receber o extrato dos bancos.
Como os bancos têm prazo até dezembro para encaminhar os extratos para a Caixa, a informação sobre quanto cada trabalhador tem a receber só estará disponível no primeiro trimestre do próximo ano. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, considerou um absurdo o trabalhador assinar um termo de adesão sem saber quanto irá receber. ''É dar um cheque em branco para o governo'', disse.
Segundo Felício, a CUT vai instruir os trabalhadores a só assinar o termo de adesão depois de saber quanto irão receber. Além disso, a entidade, juntamente com as demias centrais sindicais, ficaram de fazer sugestões ao texto do termo de adesão proposto pelo governo até a próxima segunda-feira.
O ministro argumentou, durante a reunião, que o trabalhador não está obrigado a assinar o termo de adesão. ''É uma opção dele assinar antes de saber o valor ou não.'' Dornelles disse que quanto mais cedo o trabalhador assinar melhor porque a Caixa terá condições de levantar mais rapidamente o valor que ele tem a receber. ''Temos um sério problema com relação aos endereços no Fundo de Garantia.'' Por isso, segundo Dornelles, foram incluídos no termo de adesão dados para o cadastro do trabalhador. ''Precisamos saber onde os trabalhadores moram'', disse.

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