Pagamento de dívidas exige tempo e persistência
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segunda-feira, 26 de junho de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Qualquer pessoa sabe que o ideal é pagar as compras à vista. No entanto, nem sempre isso é possível. Queda do poder aquisitvo, reajuste das tarifas básicas acima dos índices oficiais de inflação e a falta de controle financeiro leva muitos consumidores a assumir dívidas que vão além da sua capacidade de pagamento. O resultado é que as dívidas vão se tornando uma ''bola de neve'' e, com o orçamento todo comprometido, a pessoa não consegue quitar seus débitos.
''O remédio para o problema é amargo. Para sair do vermelho não há milagres e exige muito tempo, persistência e abstinência'', afirma Maria Eduvirges Marandola, professora de Economia do Centro Universitário Filadélfia (Unifil). O primeiro passo sugerido por ela é não assumir mais dívidas, mesmo que as prestações não forem acrescidas de juros ou correção monetária; as compras a prazo devem ser esquecidas. ''Nas compras à vista, deve-se avaliar a sua real necessidade. Comprar só o necessário para a sobrevivência'', salienta.
A recomendação da professora para quitar dívidas mais altas é disponibilizar algum bem patrimonial que não esteja em uso. ''A pessoa deve fazer uma avaliação. O bem deve ser vendido somente se não for possível quitar essa dívida a médio ou longo prazo sem tirar uma parte do rendimento mensal'', explica. Segundo ela, esse procedimento deve ser adotado porque os juros e a correção monetária geralmente são maiores do que o rendimento oferecido pelo imóvel. Para quitar dívidas de valores mais baixos, a recomendação é tirar uma quantia do orçamento mensal.
''A renegociação das dívidas deve ser avaliada. Geralmente, é cobrado juros sobre juros e o valor só aumenta mas, de qualquer forma, a dívida vai ter que ser paga'', argumenta a professora. Ela lembra que as tarifas públicas têm sido reajustadas acima dos índices de inflação e, por isso, as pessoas não conseguem equilibrar seu orçamento. ''Comprar traz prazer e, por isso, muitas pessoas compram sem pensar. Gastos mensais e compras extras podem atingir valores insustentáveis'', comenta.
Aprendizado - Todo processo traumático pode trazer bons resultados. Nesse caso, o ''endividado'' que já quitou sua dívida pode passar a guardar alguma quantia por mês, fazer uma poupança ou fazer aplicações em um fundo de investimento. ''Essas reservas a longo prazo podem cobrir eventuais imprevistos'', salienta Maria Eduvirges.


