Pagamento de crediário em dinheiro está mantido
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de julho de 2004
Gerusa Marquese Rosa Costa<br> Agência Estado 
Brasília - A Receita Federal assegurou ontem que as prestações de crédito direto ao consumidor, como pagamento de carnês, poderão continuar sendo pagas em dinheiro. O texto da lei que cria a conta investimento, que prevê a transição de recursos entre aplicações sem o pagamento da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), sancionada dia 13, determina que operações de crédito somente poderiam ser pagas por meio de cheque ou débito em conta para pagamento.
As entidades vinculadas ao comércio criticaram duramente a medida, alegando que na verdade o governo quer elevar a capacidade de arrecadação via CPMF.
Diante das críticas do comércio, de consumidores e de parlamentares, o Ministério da Fazenda foi obrigado a divulgar uma nota e depois dar uma entrevista para explicar que a legislação também permite a dispensa dessa obrigatoriedade em determinadas operações.
A Receita Federal informou que em 1º de outubro - quando entra em vigor a conta investimento -, o Ministério da Fazenda deverá reeditar uma portaria de 2002 que regulamentou a cobrança da CPMF. A portaria vai reafirmar o entendimento de que não haverá mudanças na forma de pagamento das prestações do crediário. Portanto, continuará sendo possível pagar em dinheiro as parcelas de financiamento de bens, operações de penhor e crédito educativo e créditos direto ao consumidor, como, por exemplo, o crediário para a aquisição de eletrodomésticos.
De acordo com a nota da Receita, foi mantida na nova lei ''a delegação de competência ao Ministro da Fazenda para dispensar dessa obrigatoriedade (de trânsito de depósito em conta corrente) determinadas operações de acordo com suas característicias e finalidades''. Até o momento não foi editada a nova versão da portaria 227, explica o ministério, porque a lei que criou a conta investimento ainda não entrou em vigor.
A falta da explicação do governo provocou durante o dia de ontem várias críticas no Congresso. O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), informou que o partido iria contestar na Justiça a lei. Segundo ele, tratava-se de uma medida ''flagrantemente ilegal'', pois na prática impediria o uso da moeda corrente no País. ''É uma agressão aos direitos do cidadãos'', criticou.


