Padrão de plugues e tomadas gera polêmica
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Fábio Galão<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Os plugues e tomadas estão no centro de uma polêmica. Na última terça-feira, o Ministério Público Federal (MPF) no Paraná apresentou ação contra a União, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). A procuradoria solicitou que seja interrompido o procedimento de padronização nacional de plugues e tomadas e que seja liberado o uso dos demais modelos já existentes no mercado.
A padronização tornou-se obrigatória para fabricação e importação de plugues e tomadas desde o primeiro dia do ano. O MPF alegou que a medida, além de ser equivocada, não foi divulgada com o destaque e debate adequados e que o modelo escolhido para ser usado no Brasil deverá proporcionar várias despesas ao consumidor, como a troca de tomadas e a compra de adaptadores.
''Embora a justificativa seja a segurança, como as pessoas vão ter que migrar para esse novo sistema, o adaptador gera uma brecha para a falta de segurança'', comentou o procurador Sérgio Arenhart, que apresentou a ação. ''Além disso, esse pino só existe no Brasil. Vamos ficar com uma restrição à comercialização no mercado internacional.''
A dona de casa Norma Margarida Góes da Rocha Mendes e o marido se mudaram recentemente para uma casa em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), construída em um condomínio fechado. Como existe uma lei de 2006 que determina que todas as construções novas precisam ter o aterramento da rede elétrica, eles aproveitaram e instalaram as tomadas seguindo o padrão. Aí, começaram os problemas.
''Tivemos que colocar vários adaptadores. É engraçado, porque tem aparelho velho que encaixa na tomada nova e tem aparelho novo que não encaixa'', descreveu Norma.
Em nota divulgada nesta semana, a ABNT lembrou que ''todos os segmentos da indústria terão que se adaptar ao novo padrão de tomadas e plugues''. ''A padronização foi tornada obrigatória em portaria do Inmetro publicada em 2000 e, em julho de 2011, já não será permitida a venda de plugues fora do padrão'', ressaltou a associação. Segundo a ABNT e o Inmetro, a tomada padrão tem formato de poço e é sextavada (talhada em seis faces); os plugues têm dois ou três pinos redondos: o pino chato desaparece.
O Inmetro justificou, em um comunicado divulgado para prestar esclarecimentos sobre a padronização, as razões para a adoção de um modelo. ''Hoje, no Brasil, existem mais de dez modelos de plugues diferentes e quantidade semelhante de tomadas, gerando uma situação de risco de choque elétrico ao usuário e de sobrecarga na instalação elétrica (conexão de aparelhos projetados para tensões e correntes diferentes da tomada) e desperdício de energia, através da dissipação de calor (uso de adaptadores inadequados para conectar muitos equipamentos em uma única tomada). O padrão é sinônimo de segurança'', argumentou o órgão.
O instituto alegou que o Brasil não adotou o ''padrão internacional'' de plugues e tomadas porque tal padrão não existe. ''O padrão estabelecido no fórum da ABNT foi desenvolvido considerando a conectividade com os plugues hoje existentes. O padrão é conectável com 80% dos aparelhos elétricos atuais'', apontou o Inmetro. O instituto salientou que, para a conexão dos aparelhos incompatíveis, torna-se necessária a utilização de adaptadores, mas o ideal é trocar a tomada.
O Inmetro destacou que a maior mudança para os consumidores ocorrerá com aparelhos como geladeira, máquina de lavar roupa e micro ondas, que necessitam de incorporação do condutor-terra e que apresentarão o plugue de três pinos, o que força a troca de tomada.


