Agência Estado
De São Paulo
O segmento de padarias, negócio que no Brasil reúne 51 mil estabelecimentos com 600 mil trabalhadores e faturamento de R$ 16 bilhões por ano (dados de 98), continua apostando na tradição e não teme que o pão artesanal seja totalmente substituído pelos produtos industrializados já produzidos em escala por duas empresas nacionais, a Big Foods e a Brico Bread.
São produtos caros quando comparados com o tradicional pãozinho francês, argumenta o presidente da Associação Brasileira da Indústria Panificadora (Abip), Frederico Maia. Para ele, o alto custo de produção e armazenagem tornam o congelado pouco competitivo frente ao tradicional pão francês, cuja produção e mão-de-obra são baratas. ‘‘O pão é consumido principalmente pelas classes mais baixas’’, afirma.
Mas, por via das dúvidas, as microempresas que movimentam o setor já pensam em se organizar em redes, como as farmácias, curvando-se a uma das fortes tendências do setor de serviços. O objetivo é enfrentar a concorrência das grandes redes de supermercados.
As avaliações sobre o setor são feitas no contexto de preparação do 4º Circuito Internacional de Panificação e Confeitaria, evento com início em Campinas, no dia 3 de agosto e encerramento em São Paulo, no dia 26. Está prevista a presença do consultor internacional Christian Trouvé, panificador francês especializado em produtos semi-assados e hipergelados. O circuito é patrocinado pela J.Macêdo, Coca-Cola, Perdigão, Electrolux Banking, Harald Recheios e Coberturas, Senai e com apoio da ABIP.
Maia admite que o consumo de pães congelados pode crescer com a adoção de novas tecnologias ou com a melhora do poder aquisitivo do brasileiro, mas não acredita que há muito espaço no mercado para este segmento. Segundo o empresário, na França o consumo de pães industrializados, que compreende também os congelados, estagnou em 22% do mercado. No Brasil, este percentual está em 15%. Aproximadamente, 40% do faturamento das padarias são de produtos próprios. O Brasil consome anualmente 8,2 milhões de toneladas de trigo, das quais 72% são importadas.
Maia também não acredita que o fechamento de padarias manterá o ritmo dos dois últimos anos quando foram desativados 9 mil estabelecimentos. Para ele, o setor está em fase de acomodação, mas tem até espaço para crescer, desde que o consumo per capita de trigo passe dos atuais 26 quilos para 50 quilos.

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