Pactual renegocia 85% dos débitos da Mesbla
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de janeiro de 1997
Agência Estado 
RIO - O banco Pactual já conseguiu renegociar com cerca de 85% dos credores da Mesbla a conversão de seus créditos em ações da empresa. Sem dúvida, é uma vitória, já que o banco tinha até ontem para converter pelo menos 80% dos débitos da companhia (segundo o presidente do Pactual, Luiz Cezar Fernandes, 79% não valia), de R$ 510 milhões.
O prazo fora dado pelo juiz Paulo Cesar Salomão, da 7ª Vara de Falências e Concordatas, como pré-requisito para evitar a falência da empresa e levantar a concordata decretada no ano passado.
De qualquer forma, o destino da Mesbla ainda não está selado. Em 11 de fevereiro expira o prazo do contrato de gestão assinado entre o Pactual e a família De Botton, principal acionista da Mesbla, para reestruturação da dívida da empresa.
Até lá, o principal executivo da companhia, José Paulo Amaral (ex-presidente das Lojas Americanas), espera ter obtido a conversão de 100% dos créditos. Sem isso, as chances de Mesbla sair do buraco diminuem consideravelmente. A empresa, segundo seus próprios executivos, está com o caixa completamente vazio.
Negociação
evita a
falência
da rede
O patrimônio da Mesbla, de R$ 664,6 milhões, conforme o relatório do comissário da concordata, Sérgio Zveiter, não cobre o total da dívida de R$ 870,325 milhões, incluindo os débitos fiscais. Em dezembro, José Paulo Amaral fez um chamado road show (apresentação da empresa) a todos os credores, mostrando que a Mesbla só seria viável se os créditos fossem convertidos em ações com direito a voto.
De acordo com o relatório da perícia contábil, em junho do ano passado, onze meses depois do ajuizamento da concordata, o grupo Mesbla acrescentou ao seu passivo de R$ 582 milhões, um déficit operacional de R$ 355,631 milhões, volume 30% superior ao do faturamento.


