As medidas anunciadas ontem pelo governo federal para beneficiar os pequenos produtores rurais foram consideradas insuficientes pelos parlamentares de oposição. Além de criticarem o pacote baixado pelo governo, os oposicionistas também avaliaram que a estratégia do Palácio do Planalto é tentar isolar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e reforçar os atritos com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Para a bancada ruralista, as medidas anunciadas atendem uma reivindicação antiga do setor e representam o ‘‘primeiro passo’’ para contemplar, no futuro, os médios e grandes produtores rurais. ‘‘O governo tinha que atender realmente quem fez reivindicações de forma ordeira e não quem tentou se impor pela baderna’’, disse o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), um dos líderes da bancada ruralista.
‘‘O governo agiu corretamente ao contemplar os pequenos produtores e este é o primeiro passo para atender mais tarde os médios e grandes’’, afirmou o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP). ‘‘Acho até que o governo foi pão-duro e poderia ter baixado mais as taxas de juros’’, ironizou.
Oposição Para os oposicionistas, as medidas não vão resolver o problema do setor, apesar de terem representado um pequeno avanço na política governamental para o campo. ‘‘Agora resta saber se os recursos vão chegar ao pequeno produtor e ver se estas medidas não vão acabar ofuscando a mobilização dos trabalhadores rurais’’, disse o líder do PT na Câmara, deputado Aloízio Mercadante (SP).
Na opinião do líder do PSB, deputado Alexandre Cardoso (RJ), o projeto do governo tenta separar o MST e os pequenos produtores rurais. ‘‘O governo faz carinho na Contag e quer criar discórdia com o MST, dando migalhas’’, disse.

mockup