O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), fez um alerta ontem ao governo sobre a necessidade de se reduzir as taxas de juros o mais rápido possível. Segundo ele, as taxas atuais, que estão em torno de 3% ao mês, acrescidas das medidas de ajuste da economia anunciadas na segunda-feira pela equipe econômica, levarão o País a uma brutal recessão. ‘‘Os juros altos consumirão em um prazo de seis meses os US$ 20 bilhões do próprio ajuste fiscal em função do custo dos US$ 200 bilhões de dívida interna’’, advertiu.
Fazendo a ressalva de que o setor industrial concorda com as medidas anunciadas pelo governo - incluindo os juros altos, para preservar o Real diante da crise deflagrada pelas bolsas de valores no mercado mundial -, Fernando Bezerra disse que é preciso buscar alternativas urgentes que desonerem a produção. Estas alternativas, na visão dele, darão fôlego às empresas para manter a competitividade do produto industrial, caso seja impossível reduzir os juros em 30 dias.
Entre as medidas que poderiam aliviar a vida das empresas e evitar um aumento ainda maior do desemprego, ele citou a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para os 6% vigentes até maio último, quando esse percentual passou para 15%, e a retirada de contribuições tipo PIS/Cofins, incidente sobre a folha de pagamento das empresas. Apontou ainda a necessidade de realizar a reforma tributária o mais rápido possível e aprofundar as medidas que reduzam o chamado Custo Brasil.
Bezerra disse que a indústria tem consciência da gravidade da situação econômica e da vulnerabilidade brasileira diante da crise internacional. Enfatizou que o governo deve pressionar o Congresso para examinar a última proposta de reforma tributária que sugeriu e que cria o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), o imposto sobre vendas a varejo e extingue o IPI, o ICMS, ISS, Cofins e PIS/Pasep.
O presidente da CNI disse ainda que o setor produtivo não concorda com uma possível troca do aumento no valor a ser pago pelas pessoas físicas no Imposto de Renda, com um possível aumento na alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). ‘‘Esta troca seria mais prejudicial para o setor produtivo, porque a CPMF é um imposto em cascata que onera toda a produção’’.
Para analisar os efeitos das medidas do ajuste fiscal sobre o setor produtivo, Fernando Bezerra se valeu de um ‘‘paper’’ elaborado pela assessoria econômica da entidade. Segundo o avaliação dos economistas da CNI, o efeito imediato das 51 medidas anunciadas na última segunda-feira, associado aos juros altos, deverá se traduzir em esfriamento da demanda do setor industrial. ‘‘As medidas não contemplam melhoras significativas na competitividade da economia. Algumas delas, como o reajuste dos combustíveis, podem onerar a produção doméstica’’, afirma o chefe da Assessoria Econômica da CNI, José Guilherme de Almeida Reis.
Para os economistas da CNI, o pacote de medidas irá provocar redução na demanda do setor industrial por três razões, no mínimo: queda da renda disponível, aumento da taxação de impostos e restrições do custo do crédito. ‘‘A queda da atividade econômica será tanto maior quanto maior for o tempo de vigência dos juros altos’’.
Para a Assessoria Econômica da CNI, o elenco de medidas terá um efeito positivo sobre o desempenho da balança comercial brasileira, que vem registrando déficits acumulados. Deverá ocorrer aumento dos excedentes exportáveis em função da queda da atividade econômica interna e maior atratividade dos Contratos de Adiantamento de Cambio (ACC) com os juros altos, que compensam o câmbio valorizado, afirmam.

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