Pacote reúne mais de 20 técnicas
Arquivo Folha
Novo x velhoO geneticista Tumoru Sera e o cafeeiro carregado. Na foto de baixo, a largura da rua mostra a diferença entre o novo modelo de produção e o sistema tradicional
Mais do que aumentar a população de plantas, reduzir a área e aumentar a produtividade, o café adensado na verdade é um pacote de tecnologia que inclui cerca de 20 técnicas que precisam ser seguidas para que os objetivos sejam atingidos. Só plantar café adensando reduzindo o espaçamento, é como por um filho no mundo e não criá-lo, comenta o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Tumoru Sera.
O pacote de tecnologia Café Adensado do Paraná, como Sera denomina a técnica, permite que o produtor plante em um hectare entre oito e 12 mil plantas, com uma produtividade média de 40 sacas de café benficiado/ha. No sistema tradicional mecanizado, a população máxima era de 2,5 mil plantas/ha, com uma produtividade média de 10 mil sacas/ha. Dependendo do ano, uma lavoura adensada bem conduzida pode produzir até 150 sacas/ha. Já no sistema tradicional, uma excelente lavoura produz 25 sacas/ha, compara o pesquisador e líder do Programa de Café do Iapar, Armando Androcioli Filho.
Como a produtividade é maior em uma área reduzida, os custos de produção no sistema adensado caem pela metade se comparados ao sistema tradicional. Segundo Androcioli, o custo de produção de uma saca no adensado varia entre R$ 38,00 e R$ 45,00, enquanto que no sistema antigo, a saca era produzida a um custo entre R$ 60,00 até R$ 100,00/saca.
Sera observa que com o sistema adensado, a utilização de adubos sofre uma redução de até 40%. É que com o maior número de plantas, o solo recebe maior quantidade de matéria orgânica (folhas), e por ser uma lavoura mais fechada, o solo fica sombreado, garantindo maior umidade. Esta característica da tecnologia também faz com que a competição do cafeeiro com plantas invasoras praticamente inexista, isso contribui ainda para a redução do custo de produção, uma vez que as capinas, que exigem mão-de-obra, são reduzidas e em alguns espaçamento, eliminadas.
Mas isso não quer dizer que o produtor de café adensado não precise investir na adubação de sua lavoura. Muitos produtores dizem que não fazem adubação porque causa da geada, achando que estão perdendo dinheiro. Mas é exatamente o contrário, diz. Segundo o pesquisador, um cafezal bem adubado e com controle rigoroso da ferrugem pode sobreviver a uma geada forte. Se o produtor não fizer estes tratos culturais de forma adequada, a sua produtividade pode cair até 50%, o que pode ser pior que uma geada, afirma.
O adensado garante a qualidade do café porque exige uma colheita feita com mais esmero. O produtor tem que fazer a colheita no pano, para evitar que o fruto caia no chão. O sistema também exige que se colha mais de uma vez, já que o amadurecimento é diferenciado. Por isso, Sera recomenda que a lavoura seja formada por diferentes variedades, entre precoce, médias e tardias, para que o produtor possa escalonar sua colheita.
Ele observa que a qualidade também depende de uma adubação correta. Não adianta fazer colheita no pano, se não houver cuidado na pré-colheita, o número de grãos chochos e ardidos é maior, além de prejudicar o tipo e aspecto visual, afirma. Tumoru diz que a adubação deve ser feita entre setembro e abril, e sempre proporcional à florada. A terra roxa está exaurida, em muitos lugares o terreno já está no sub-solo, afirma.
Os cuidados no pós-colheita também são fundamentais para garantir a qualidade do produto. O café deve passar por uma boa secagem, que pode ser feita no terreiro ou em secadores mecânicos. Mas a revolução em termos de qualidade é o cereja descascado. Com esta máquina o produtor pode fazer um café com qualidade tão boa quanto os melhores cafés produzidos no cerrado mineiro.
Sera diz que, com o sistema adensado, é praticamente possível conviver com a geada. Isso é uma revolução tecnológica, comenta. Para isso, ele diz que antes de implantar a lavoura deve ser observadas a localização da sua propriedade, as variedades recomendadas de acordo com o micro-clima e solo da região, fatores que também determinam a escolha do espaçamento a ser adotado.
Androcioli recomenda aos produtores que estão implantando lavouras agora que fiquem atentos às previsões de geadas. As planta pequenas, que ainda dobram, devem ser cobertas com terra, sem dó, aconselha. Segundo ele, uma pessoa pode cobrir 2 mil mudas por dias e as plantas resistem até 10 dias enterradas. Já nas lavouras com mais de seis meses, ele sugere que se faça o chegamento de terra no tronco, até a primeira rama. A proteção contra geada é de 100%, afirma. O tronco deve ficar coberto até o final do inverno.





