Numa avaliação preliminar feita pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o Estado será pouco beneficiado pelo pacote de infraestrutura lançado ontem pelo governo federal. A presidente Dilma Rousseff divulgou investimentos de R$ 133 bilhões em rodovias e ferrovias. Desse total, R$ 79,5 bilhões serão aplicados em até cinco anos.
Nenhum dos nove projetos de concessão de rodovias envolve o Paraná. Na parte ferroviária, dois novos tramos passarão pelo Estado. Um deles vem de Maracaju (MS) em direção à Mafra (SC), terminando no Porto de Rio Grande (RS). O mapa divulgado pelo Ministério dos Transportes mostra que a ferrovia entra no Paraná pelo Noroeste e sai pelo Sudeste, sem passar pelo Porto de Paranaguá.
A única cidade paranaense anotada neste mapa é Cascavel. A FOLHA pediu à assessoria de imprensa do Ministério o detalhamento do trajeto, mas não foi atendida até o fechamento desta edição. O segundo tramo vai da cidade de São Paulo à Mafra, passando pelo Leste do Paraná, também sem chegar ao Porto de Paranaguá (ver imagens).
Segundo o assessor técnico da Faep, Nilson Hanke Camargo, ''aparentemente'' o pacote não atende às prioridades ferroviárias do agronegócio paranaense. O principal gargalo existente hoje, segundo ele, é o trecho entre Guarapuava e Ponta Grossa, devido à sinuosidade do desenho da linha férrea. ''Só para se ter uma ideia, um comboio sai de Cascavel com 80 vagões e vai a 45 quilômetros por hora até Guarapuava. Chegando lá, ele tem de ser dividido em dois comboios de 40 vagões e a velocidade é reduzida para, no máximo, 15 quilômetros'', afirma.
Outra prioridade seria o trecho Guaíra-Cascavel, que não existe. Pelo mapa do Ministério dos Transportes, não é possível saber se o novo tramo atenderá esta demanda. Campo Mourão-Jussara, de acordo com Camargo, também precisa de ferrovia urgentemente.
Ainda é prioridade uma nova ferrovia ligando Curitiba ao Porto de Paranaguá, já que a atual, segundo ele, praticamente só serve para trem de turismo. ''Existe uma proposta de desenho bem interessante: a ferrovia contornaria boa parte da Serra do Mar, com muito menos curvas, aclives e declives'', salienta. De acordo com Camargo, somente 30% das commodities produzidas no Paraná são exportadas por trem.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, mostrou-se mais otimista em relação ao pacote. ''A presidente percebeu que o Estado não tem condições de fazer o que o Brasil precisa em termos de infraestrutura. E partiu para as concessões. Além disso, está preocupada em levar os investimentos para as regiões menos favorecidas'', afirma.
Campagnolo acredita que será possível discutir com o governo os traçados das novas ferrovias. ''O próprio ministro se mostrou aberto a ajustes e a presidente disse que novos investimentos virão'', ressalta.
No final do mês, a Fiep e as federações das indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e do Rio Grande do Sul (Fiergs) vão lançar em Brasília o projeto Sul Competitivo. No estudo, feito pela consultoria Macrologística, serão apresentadas ao governo as necessidades de infraestrutura rodoferroviária dos três estados.

Imagem ilustrativa da imagem Pacote pouco ajuda agronegócio do PR
Imagem ilustrativa da imagem Pacote pouco ajuda agronegócio do PR
mockup