Pacote pouco ajuda agronegócio do PR
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quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Numa avaliação preliminar feita pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o Estado será pouco beneficiado pelo pacote de infraestrutura lançado ontem pelo governo federal. A presidente Dilma Rousseff divulgou investimentos de R$ 133 bilhões em rodovias e ferrovias. Desse total, R$ 79,5 bilhões serão aplicados em até cinco anos.
Nenhum dos nove projetos de concessão de rodovias envolve o Paraná. Na parte ferroviária, dois novos tramos passarão pelo Estado. Um deles vem de Maracaju (MS) em direção à Mafra (SC), terminando no Porto de Rio Grande (RS). O mapa divulgado pelo Ministério dos Transportes mostra que a ferrovia entra no Paraná pelo Noroeste e sai pelo Sudeste, sem passar pelo Porto de Paranaguá.
A única cidade paranaense anotada neste mapa é Cascavel. A FOLHA pediu à assessoria de imprensa do Ministério o detalhamento do trajeto, mas não foi atendida até o fechamento desta edição. O segundo tramo vai da cidade de São Paulo à Mafra, passando pelo Leste do Paraná, também sem chegar ao Porto de Paranaguá (ver imagens).
Segundo o assessor técnico da Faep, Nilson Hanke Camargo, ''aparentemente'' o pacote não atende às prioridades ferroviárias do agronegócio paranaense. O principal gargalo existente hoje, segundo ele, é o trecho entre Guarapuava e Ponta Grossa, devido à sinuosidade do desenho da linha férrea. ''Só para se ter uma ideia, um comboio sai de Cascavel com 80 vagões e vai a 45 quilômetros por hora até Guarapuava. Chegando lá, ele tem de ser dividido em dois comboios de 40 vagões e a velocidade é reduzida para, no máximo, 15 quilômetros'', afirma.
Outra prioridade seria o trecho Guaíra-Cascavel, que não existe. Pelo mapa do Ministério dos Transportes, não é possível saber se o novo tramo atenderá esta demanda. Campo Mourão-Jussara, de acordo com Camargo, também precisa de ferrovia urgentemente.
Ainda é prioridade uma nova ferrovia ligando Curitiba ao Porto de Paranaguá, já que a atual, segundo ele, praticamente só serve para trem de turismo. ''Existe uma proposta de desenho bem interessante: a ferrovia contornaria boa parte da Serra do Mar, com muito menos curvas, aclives e declives'', salienta. De acordo com Camargo, somente 30% das commodities produzidas no Paraná são exportadas por trem.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, mostrou-se mais otimista em relação ao pacote. ''A presidente percebeu que o Estado não tem condições de fazer o que o Brasil precisa em termos de infraestrutura. E partiu para as concessões. Além disso, está preocupada em levar os investimentos para as regiões menos favorecidas'', afirma.
Campagnolo acredita que será possível discutir com o governo os traçados das novas ferrovias. ''O próprio ministro se mostrou aberto a ajustes e a presidente disse que novos investimentos virão'', ressalta.
No final do mês, a Fiep e as federações das indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e do Rio Grande do Sul (Fiergs) vão lançar em Brasília o projeto Sul Competitivo. No estudo, feito pela consultoria Macrologística, serão apresentadas ao governo as necessidades de infraestrutura rodoferroviária dos três estados.




