Pacote pode paralisar as pesquisas do IBGE
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de novembro de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corre o risco de ter de suspender o trabalho de campo e apuração da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 1997, do Censo Agropecuário - que não era realizado desde 1985 -, da Pesquisa de Indústria Anual (PIA) e da Pesquisa Anual de Comércio (PAC). Na semana que vem, a diretoria do IBGE vai a Brasília para uma reunião com representantes dos ministérios da Administração e Planejamento levando um pedido urgente: que o instituto possa manter os contratos de 370 dos 1.250 funcionários temporários envolvidos nessas pesquisas.
Em meio às medidas do pacote de ajuste fiscal, o governo determinou, no decreto 2.371, a não-renovação dos contratos temporários. Desde o ano passado, o IBGE tem trabalhado com renovações mensais, sob a alegação de que isto permite maior agilidade e economia na hora da dispensa. É mais barato manter funcionários temporários para tarefas específicas do que contratar servidores estatutários, garante o presidente do instituto, Simon Schwartzman. Essas pesquisas estão em andamento e o trabalho de coleta já está 80% pronto, mas, se tivermos de dispensar as pessoas no final do mês, não conseguiremos terminá-las e vamos jogar fora o trabalho já feito.
Cada empregado temporário ganha R$ 360 por mês. O temor de Schwartzman é não conseguir manter a periodicidade de pesquisas fundamentais como a PNAD, que não foi realizada em 1994 e só regularizou sua atualização este ano. Na verdade, mesmo pesquisas mensais, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) dependem hoje de pelo menos 150 funcionários com contrato temporário.
Na rodada de negociações, Schwartzman vai incluir ainda um pleito maior: a permissão para a contratação, no ano que vem, de 750 pessoas em caráter temporário para começar o trabalho cartográfico do censo demográfico do ano 2000. O trabalho de mapeamento é detalhado, minucioso e precisamos começá-lo com antecedência, até para sabermos quanto teremos de gastar para fazer o censo, argumenta o presidente do IBGE.
Embora Schwartzman adote um tom otimista em relação ao cronograma de verbas do censo, a ordem do governo para cortar o orçamento do ano que vem pode comprometer o trabalho do IBGE - o instituto ficou de fora das áreas prioritárias, que são educação e saúde. A previsão de orçamento do censo para 1998 é de R$ 22 milhões. Até o ano 2000, a verba necessária é de R$ 700 milhões. O censo é uma conta à parte, porque recebe dotação específica da União.


