Circularam, na semana passada, rumores sobre um ''pacote'' que mexeria nos preços administrados - um dos focos de resistência da inflação.
Segundo um integrante da área econômica, a idéia seria pressionar as concessionárias de serviços como energia e telefonia a concordarem com reajustes menores. Para isso, o governo poderia recorrer a instrumentos heterodoxos como, por exemplo, colocar a Receita Federal no encalço das menos cooperativas.
Essa idéia, porém, foi descartada no Ministério da Fazenda. ''Há contratos e os contratos serão respeitados'', afirmou um assessor direto do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. ''Não tem mágica.''
As tarifas dos serviços públicos são reajustadas, em sua maioria, pelo Índice Geral de Preços (IGP). Desde o governo passado já se havia concluído que esse não é um bom indexador, e desde então estão em negociação a troca de índices de correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou índices específicos do setor. Essa troca, no entanto, será feita no vencimento dos contratos.
Outra idéia para relativizar o peso da equipe econômica nas decisões dos juros será discutida nesta semana, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). A idéia é aumentar o número de integrantes do Conselho Monetário Nacional (CMN), que fixa as metas de inflação. O Copom sobe ou desce os juros conforme o necessário para atingir essas metas. Hoje, o CMN é composto só por três pessoas: o ministro da Fazenda, o ministro do Planejamento e o presidente do Banco Central. A proposta é elevar a até nove o número de integrantes do CMN, para acrescentar a visão de outros setores nessas decisões.
(Colaborou: Lu Aiko Otta/AE)

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