ArquivoEfeito dominóNelson Costa, da Ocepar: Bancos já estão revendo linhas de crédito a juros mais elevados O comércio de fertilizantes e insumos agrícolas está parado no Paraná. As indústrias estão cautelosas em fazer novas operações e, por esta razão, o produto não está chegando na ponta de consumo, o produtor rural. As indústrias suspenderam a produção desde que os bancos interromperam o fluxo de recursos do crédito rural, com juros de 9,5%, para financiar o setor de insumos. A Ocepar não constatou nenhum prejuízo até agora para o plantio já que a maior parte dos insumos para plantar a safra de verão já foi adquirida.
O assessor econômico da Ocepar Nelson Costa acredita que o mercado deve se normalizar em 5 ou 6 dias, se tudo correr berm, mas em outro patamar com prazos reduzidos e juros maiores. Costa acredita que os bancos estão revendo as linhas de crédito para o financiamento da indústria de insumos e elas se recusam a captar recursos no mercado financeiro. O que está acontecendo é um ajuste de custos e os setores estão disputando quem fica com a menor fatia da conta, resumiu Norberto Ortigara, diretor do Deral.
Para Nelson Costa, enquanto persistir esse período de acomodação do mercado e o cenário econômico não estiver bem delineado, não haverá regularização na oferta de insumos e fertilizantes. Costa frisa que não está havendo falta de produto e que a paralisação do mercado é consequência das operações financeiras que não estão fechando. Ou seja as condições que estão sendo oferecidas para a aquisição de matéria-prima e transferência de produto para o agricultor não são adequadas à sua realidade.
As indústrias de fertilizantes estão na expectativa do desdobramento das medidas econômicos e do impacto que elas vão provocar de fato. Se o governo mexer nas tarifas de importação, o setor pode ser onerado com alíquotas de até 30%. Esse é o teto estabelecido pela Organização Mundial do Comércio, da qual o país é signatário. As indústrias também estão aguardando e se a negociação em torno das taxas de financiamento não forem favoráveis, certamente elas vão recorrer à emissão de guias de exportação.
Esse desafio ainda está longe de ser superado. Para Norberto Ortigara, do Deral, a vinculação da importação de insumos e defensivos às exportações de produtos pode ser uma solução. Dessa forma esses produtos seriam beneficiados com a emissão de guias ACC (Adiantamento de Contratos de Câmbio). Mas essa decisão depende de avaliação do governo federal e ainda está indefinida.
De posse de ACCs as indústrias conseguem adiantamento de recursos com variação cambial e juros do mercado externo, sendo que a operação resulta aproximadamente em torno de 18% ao ano, muito menos do que descontar uma duplicata em banco com juros de 40% ou 50% ao ano como está vigorando no mercado, justificou Ortigara. Por outro lado se o governo aumentar as TECs (Tarifa Externa Comum) poderá encarecer a importação de fertilizantes através da elevação do imposto de importação, apontou Ortigara.

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