Economistas brasileiros estão preocupados com a situação da Argentina, mesmo depois do lançamento do pacote do governo argentino para estimular investimentos. O professor de Economia da PUC do Rio, José Márcio Camargo, avalia que ‘‘a crise política na Argentina ainda não está superada e o pacote econômico dá a impressão de falta de opções’’. Ele lembra que o efeito do pacote pode ser a redução na arrecadação de impostos, que resultará em mais déficit fiscal.
O ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, atualmente no Ibmec, acredita que ‘‘a Argentina está em uma situação que só o tempo corrige’’. ‘‘A Argentina não pode fazer nada para reduzir as desconfianças sobre ela.’’ Segundo ele, ‘‘a Argentina não vai quebrar amanhã porque tem dinheiro para pagar suas dívidas’’. Há, porém, o problema das expectativas para o futuro, com dúvidas sobre a capacidade de pagamento’’.
O secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, afirmou que não compartilha com as preocupações dos agentes de mercado em relação à Argentina. Segundo o secretário, não há razão para apreensão em relação ao novo pacote econômico uma vez que ‘‘eles vão superar as dificuldades’’. E lembrou: ‘‘nós também já tivemos dificuldades e saímos’’.
Cavallo ‘‘Temos de ajudar o governo!’’ A afirmação, feita pelo ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, causou um alívio no gabinete do presidente Fernando De la Rúa. O ex-ministro, que estabeleceu a paridade entre peso e dólar, é fundamental para que o governo obtenha a confiança dos investidores estrangeiros.
Cavallo está preparando um bloco de pequenos partidos dentro do Congresso para apoiar o governo De la Rúa. A definição da relação Cavallo-governo ficou definida em um encontro que teve com o ministro da Economia, José Luis Machinea, a quem define como ‘‘meu amigo’’.