São Paulo - O fim da ''novela'' do pacote anticrise nos EUA levou pouco alívio para os mercados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a fechar com forte queda, enquanto o dólar atingiu seu preço mais alto em 13 meses. E no epicentro da crise, a Bolsa de Nova York perdeu 1,50%, em meio ao pessimismo generalizado dos investidores sobre a economia americana.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, amargou retração de 3,53% e desceu para os 44.517 pontos, o nível mais baixo desde 28 de março de 2007. O giro financeiro continua reduzido: R$ 5,03 bilhões, abaixo da média diária do mês passado (R$ 5,3 bilhões), que já registrou o volume mais estreito de negócios na comparação com outros meses.
O dólar comercial foi cotado a R$ 2,046 na venda, o que representa um salto de 1,13% sobre a cotação de ontem. Trata-se do maior preço para a moeda americana desde 16 de agosto de 2007. A taxa de risco-país marca 356 pontos, um aumento de 4% sobre a pontuação anterior.
A Bolsa de Nova York concluiu os negócios em queda de 1,50%. As Bolsas européias, que fecharam antes da votação na Câmara, são o retrato mais claro da animação dos investidores antes da votação. Em Londres, o índice FTSE subiu 2,26%, enquanto o índice Dax, do mercado de Frankfurt, avançou 2,41%.
Cumprido o ''script'' esperado por analistas e investidores, no entanto, as Bolsas de Valores começaram a cair quase que imediatamente após a aprovação do pacote. Embora vários economistas admitam que o pacote é fundamental para restabelecer a confiança no sistema bancário, é opinião corrente também que a economia americana mostrou números cada vez piores nos últimos dias.
Ontem, o mercado já reagiu bastante mal a dois dados que mostraram a desaceleração do crescimento econômico dos EUA: as encomendas às indústrias tiveram uma queda de 4% em agosto, a pior em dois anos; a procura pelos benefícios do auxílio-desemprego atingiu seu maior patamar desde 2001.
Ontem, os investidores tiveram ainda mais motivos para temer o pior: a destruição de postos de trabalho em setembro (159 mil vagas) foi muito acima do esperado (95 mil), o que pode ter um efeito cascata sobre o consumo e produção.
''A retomada da confiança, o retorno do crédito e a melhora dos mercados deve ser gradativa e não deve conseguir evitar uma desaceleração mais forte e prolongada das economias desenvolvidas, com impactos para as emergentes'', avalia Miriam Tavares, diretora da corretora AGK em comentário divulgado logo após a votação na Câmara.
Para analistas, a reação de ontem somente sinaliza o mau humor reinante nos mercados financeiros: as más notícias geram ''pânico'' e derrocada das Bolsas; as boas notícias, quase indiferença.
Empresas
Devido às turbulências recentes no mercado internacional, a Aracruz Celulose admitiu perdas com operações de câmbio e suas ações despencaram. As ações da Aracruz lideraram a fila das maiores baixas do dia, no rol dos papéis que compõem o Ibovespa.
A ação preferencial da companhia despencou 24,80%. Logo abaixo na fila, a ação ordinária da BM&F-Bovespa recuou 13,69%. E na terceira posição, a ação ordinária da JBS sofreu retrocesso de 11,61%.
A Aracruz, que já havia advertido os acionistas sobre perdas em operações de câmbio no mercado futuro, revelou na noite de ontem o tamanho do prejuízo sobre o caixa da empresa. Segundo a empresa, uma auditoria contratada para avaliar as operações constatou um valor justo (''fair value'') negativo em R$ 1,95 bilhão (na data do dia 30 de setembro).
O chamado ''fair value'', no jargão do setor financeiro, representa o valor de mercado de um bem, serviço ou ativo financeiro (no caso, as posições da Aracruz no mercado futuro).

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