Pacote já esfria vendas de fim de ano
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segunda-feira, 17 de novembro de 1997
Bete Fagundes Londrina 
Arquivo FolhaFase críticaMedeiros, da Associação Comercial: Estamos esperando a poeira baixar As vendas no comércio varejista estão retraídas em Londrina e não é por uma questão de preços, ou porque os lojistas estariam repassando a alta dos juros para o consumidor. Lideranças do setor, como o presidente da Associação Comercial e Industrial, Abílio Medeiros, estão vendo uma onda de pessimismo e uma campanha anticonsumo derrubando as vendas no País. A grande maioria dos lojistas continua aplicando os mesmos juros e fazendo promoções para sobreviver, afirma Medeiros.
Se antes do governo aumentar as taxas para enfrentar a crise internacional das bolsas o comércio praticava juros de 4% ou 5% ao mês em contratos de curto prazo, ou de até 10% nas vendas a longo prazo, a introdução do pacote fiscal não altera o quadro. É o que garante o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina e Região, Igarassu Louzada.
Arquivo FolhaConspiraçãoLima, do Sindicato dos Empregados: Lobby de economistas e do governoO comércio não vai cobrar nem juros diferenciados no cartão e no preço à vista, adianta Louzada. O setor está em estado de choque, numa camisa de força que vem pressionando, pressionando, desde a abertura do mercado nacional. Foi o Plano Collor, no início da década, que trouxe novos desafios para o empresariado em geral.
Primeiro veio a concorrência dos produtos importados, depois a necessidade preeminente de se profissionalizar, investindo, por exemplo, em qualidade. Passados outros períodos em que o próprio governo apelou para a população não consumir, em defesa do plano econômico, o Plano Real, vieram a alta dos juros e o pacote fiscal de R$ 20 bilhões para salvar as contas externas. As duas novidades em duas semanas consecutivas.
Compasso de esperaLouzada, do Sindicato do Comércio: O setor está em estado de choqueEstamos esperando a poeira baixar, comenta Medeiros, presidente da Acil. Não temos dúvidas de que os reflexos dessas últimas medidas serão negativos, mas pior que isso, é o pessimismo instalado no País, é a campanha do governo contra o consumo. Por uma questão de sobrevivência, diz ele, o comércio não pode repassar a conta para o consumidor - e não está repassando. O problema, segundo Medeiros, é convencer a clientela que o setor tem condições de suportar o tranco, desde que ela volte para o mercado consumidor.
Na opinião de Louzada, as medidas econômicas são extremamente necessárias, mas vieram na hora errada, num momento infeliz. Ele não acredita mais que as vendas neste final de ano serão superiores às do ano passado. Se empatarmos, já é um grande negócio.
Arquivo FolhaOtimismoO empresário Severo Canziani: Na última hora, vai ser tudo como antesO presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, José Lima, vê a mesma situação. Fala que o lobby dos economistas e do governo para afastar a população do mercado de consumo preocupa a categoria. Antes das mudanças, a previsão era de vendas iguais ou superiores às do ano passado. Hoje, os comerciários começam a pensar em queda nas vendas, o que pode refletir no mercado de trabalho a curto prazo.
O empresário Severo Canziani Filho prevê exatamente o contrário. As vendas caíram? Caíram. Está todo mundo apreensivo? Está. Também posso estar errado, mas acredito que na última hora vai ser tudo como antes, como sempre foi: o consumidor vai fazer as suas compras e vai comprar até mais do que comprou no ano passado.
Na visão do empresário, uma das características do consumidor brasileiro é não se deixar abalar por situações criadas pelo governo. Ele leva um susto aqui, outro ali, mas passado um tempo, é o mesmo consumidor. Deixa para comprar depois, mas compra. É como o contribuinte que entrega a declaração do Imposto de Renda no último dia. Nesse Natal, eles vão gastar no mínimo o que gastaram no ano passado.


