Pacote favorece algodão estrangeiro
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quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
ArquivoNova ameaçaAgora é o pacote fiscal que ameaça algodão nacional com importações Os produtores de algodão do Paraná estão apreensivos com os efeitos do pacote fiscal sobre a comercialização da próxima safra. A Medida Provisória 1.569 que suspendeu a importação do produto com prazo inferior a um ano está provocando efeito contrário ao que se esperava. Ao invés de beneficiar os produtores estimulando a compra do produto no mercado interno, a alta dos juros favorece a importação com prazo superior a 360 dias, dominado pelas tradings e grandes importadores. Para Flávio Turra, da Ocepar, o mercado está importando 60% do consumo com prazo médio de 360 dias e com as vantagens que se abrem para a importação, avaliadas em 17% no mínimo, nada indica que a situação será revertida.
Diante da possibilidade de importação em larga escala, num momento em que os produtores estão novamente apostando na atividade e aumentando a área plantada, os setores produtivos do Paraná estão se mobilizando para reivindicar ao governo federal igualdade de tratamento com o produto importado. Segundo Turra, a Ocepar já está elaborando os termos de um documento em que se pede, nos casos de importação, o mesmo prazo de pagamento vigente no mercado interno que vai de dez a 30 dias. Ou então, que se crie uma linha de crédito semelhante ao que tem acesso o importador que está captando recursos no exterior com a correção pela variação cambial mais juros de 6% a 8% ao ano.
Turra admite que o governo federal não está disposto a atender as reivindicações que alteram o pacote fiscal. Mas segundo ele, o setor produtivo vai lutar pelo estabelecimento de uma alíquota de importação que equivale às vantagens oferecidas ao importador. Atualmente ela está calculada em 17%. Para Flávio Turra a elevação da TEC em 3% não refresca nada para impedir as importações diante das vantagens que se abriram aos importadores. Ele destacou que pelas regras do GATT essa alíquota pode ser elevada para até 35%.
Turra lamentou essa derrapada da equipe econômica do governo com o setor produtivo justamente num momento em que o produtor voltou a investir na cultura. Para se ter uma idéia, só no Paraná, o aumento de área plantada deverá ser de 79%, passando de 60 mil hectares na safra passada para cerca de 110 mil hectares na safra 97/98. A expectativa de produção sobe 62,5%. Segundo a primeira estimativa de produção divulgada pela Conab, a safra 97/98 no Estado deverá alcançar 65 mil t de algodão em pluma, contra 40,4 mil t produzidas na safra passada. No País, a Conab prevê uma produção de 460 mil t na próxima safra, 50% superior à safra anterior, quando foram produzidas 307,4 mil t de algodão em pluma. O consumo nacional está avaliado em 850 mil t por ano.


