Pacote evitou crise pior, diz Kandir
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quarta-feira, 26 de novembro de 1997
Agência Estado e Folha Brasília 
A quebra da quarta maior seguradora do Japão, a Yamaichi Securities, aumentou a preocupação do governo brasileiro, mas o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, afirmou ontem que foi justamente para se prevenir do agravamento da crise e proteger o real que o governo adotou, no último dia 10, o pacote de ajuste fiscal. Montamos uma couraça fiscal para defender o real, disse Kandir. Segundo Kandir, a equipe econômica já esperava que a crise, iniciada no Sudeste Asiático, pudesse atingir outros países da região, como está acontecendo agora com a Coréia e o Japão.
Há uma crise importante no mundo e o Brasil não pode desviar seu olhar dessa crise, disse Kandir. Segundo ele, o pacote fiscal deve ser complementado com a aprovação no Congresso Nacional das reformas constitucionais. Tenho confiança na capacidade do Congresso, afirmou.
Três reformas são consideradas importantes pelo governo: administrativa, previdenciária e tributária. As votações das duas primeiras estão mais adiantadas. Na semana passada, após a Câmara dos Deputados aprovar o texto básico da reforma administrativa em segundo turno, o governo reduziu as taxas de juros básicas da economia. Nova redução depende também dessas votações no Congresso.
Proer ajudou Os reflexos da crise asiática no Brasil poderiam ter sido mais graves se o País não tivesse passado, recentemente, por uma total reformulação de seu sistema financeiro. Apesar das críticas ao Proer, o governo fez um competente trabalho de saneamento no setor, que está nos garantindo passar por esta situação sem clima de insegurança interna, afirmou ontem Luis Roberto Cunha, membro do Decanato de Economia da PUC-Rio. Para ele, mesmo com a decretação de falência da corretora Yamaichi Securities, a quarta maior do Japão, a crise continua restrita aos países asiáticos.
Se quisermos fazer um cenário de caos podemos acabar com o mundo, mas não é isso o que está acontecendo, diz o economista. A crise é grave, mas não é mundial, pertence à Ásia, afirma, lembrando que ontem, um dia após a falência da Yamaichi, os mercados deram uma demonstração de que ainda resistem a um contágio. Alegando não terem sido constatadas altas nas taxas de juros, Cunha comentou que as bolsas européias suportaram bem o impacto e mesmo em Nova York não houve queda substancial na cotação dos papéis negociados.
A preocupação da equipe econômica do governo norte-americano, de alertar o Congresso de seu País para a extensão que a crise pode atingir, é um dos mecanismos que tem barrado a ampliação desenfreada da desorganização financeira. Agora mesmo, em Vancouver, os Estados Unidos estão discutindo a situação dos países asiáticos, lembrou, referindo-se ao encontro, no Canadá, dos chefes de Estado que integram a Associação de Cooperação Ásia-Pacífico (Apec). Há um consenso no mercado de que é necessário estancar a crise.


