A Argentina continua se debatendo com seus problemas econômicos, que dependem de medidas internas e externas, como é o caso do apoio do FMI. A pergunta que se faz é no sentido de saber efetivamente que se pode esperar da crise que atravessam. A seguir a opinião de alguns economistas sobre o assunto.
O economista e conselheiro do Corecon-PR, Sérgio Martenetz, avalia que a Argentina, de fato, debate-se em uma crise seríssima. A paridade entre o peso e o dólar, na prática, já acabou e a falta de confiança no governo e nas instituições argentinas é um sério impedimento para qualquer tentativa heterodoxa de solução. De acordo com ele, a preocupação emergencial do país vizinho é impedir uma corrida bancária e a fuga de capitais, razão pela qual o governo editou medidas de restrição aos saques bancários e às remessas ao exterior.
Martenetz afirmou que o Brasil, após assimilar por muitos meses os reflexos negativos da lenta agonia da economia Argentina, acabou por ter os seus fundamentos reconhecidos pelos agentes econômicos internos e externos e está mantendo um bom equilíbrio. Os mercados mostram claramente a separação entre os quadros argentino e brasileiro: o real valorizou-se, a bolsa sobe, os preços dos títulos brasileiros no exterior estão em alta e tanto o governo como as empresas estão conseguindo captar no mercado interno e no externo, dentro de parâmetros bastante razoáveis para a atual conjuntura.
Segundo sua opinião, parece que a economia brasileira já precificou a crise Argentina e os efeitos sobre o Brasil estão bem menores. ''É evidente que no caso de um ''default'' explícito da dívida Argentina, de um calote aberto, alguma turbulência seria sentida no Brasil. Não acreditamos, no entanto, que os mercado internacionais se fechassem totalmente ao Brasil. Os agentes externos já aprenderam a diferenciar os países emergentes, não mais considerando todos como uma coisa só'', comenta.
Para Luiz Antônio Fayet, a crise da Argentina bem como a do Brasil, que se agravará, sempre foram claramente previsíveis e periodicamente comentadas pelos economistas ''não comprometidos''. ''Inclusive em meu artigo ''Choro por ti Argentina'' escrito em dezembro de 2000''.

Simplificando, Fayet comenta que dois problemas semelhantes desequilibraram as economias de lá e de cá: o desequilíbrio das contas dos governos e; o câmbio artificial tornando o dólar barato. ''Aqui as coisas ficaram menos piores com a flutuação cambial, pois readquirimos a capacidade competitiva internacional, aumentamos exportações, diminuímos as importações e em 2001 teremos saldo positivo na balança comercial, mas no que se refere à gastança governamental piorou.
De acordo com o economista, lá, na prática, não conseguiram fazer nada, pois além das resistências das províncias em conter os déficits públicos, a taxa cambial de um dólar por um peso foi incorporada à legislação, cerca de 85% das dívidas das pessoas físicas e jurídicas estão dolarizadas e, obviamente, ninguém quer assumir os prejuízos.
O economista destaca que uma triste lição ficou demonstrada, ''dolarizar não é solução para economias de bom porte, afugentando os mágicos'' que sempre aparecem, mas a grande questão em que eles estão entalados, é saber como sair da atual relação cambial. Sem resolver a questão cambial a Argentina não sai do impasse e o próprio FMI, com seu recuo, já deu sinais desse entendimento'', comenta.
Por fim, Fayet lastima a situação Argentina, ôpois juntos e no Mercosul, teríamos muito a ganhar, mas espero que sirva de lição às nossas lideranças empresariais e às autoridades econômicas, que têm a mania de querer o dólar barato, contrariando a própria lei da oferta e da procura.

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