Vânia Casado
De Curitiba
As medidas anunciadas pelo governo federal para estimular o plantio de milho no país agradaram produtores e cooperativas no Paraná. Os mecanismos anunciados como recursos para EGF - Empréstimos do Governo Federal - e oferta de contratos de opção, como garantia de venda da produção para o governo, podem servir de estímulo ao aumento da área plantada.
Mas os produtores continuam ainda na expectativa do anúncio de recursos de crédito para o plantio.
Para a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) o anúncio de recursos para EGF e outros mecanismos de comercialização, como PEP e o mercado de opção, sinalizam que o governo está disposto a financiar a estocagem do produto. ‘‘É uma boa medida para evitar o desabastecimento de milho no período crítico da entressafra como está ocorrendo agora com a falta do grão para pequenos e médios produtores’’, avaliou Nelson Costa, assessor econômico da entidade.
Estocagem Sem pressão de venda no período de safra, cooperativas e produtores podem armazenar parte da safra e programar a desova de estoques para evitar a falta do produto. Isso porque ainda esse ano, a oferta de milho será bem menor que o consumo e no final desse ano, o abastecimento ficará bem mais apertado não restando outra alternativa, senão a importação.
Em relação ao aumento da área plantada, Costa disse que ela vai ocorrer independente dos estímulos do governo, para atender as forças de mercado que pedem produção maior e estão pagando por isso.
Costa não quis fazer previsões sobre o aumento de área plantada esse ano. Mesmo para a safrinha, que começa a ser plantada em fevereiro, ele disse que o comportamento do clima pode inviabilizar as previsões. Segundo ele, ainda atravessamos um período irregular de chuvas e somente a normalização do clima é que vai estabelecer um aumento substancial da área plantada com milho durante a safrinha ou não.
Costa salientou que existe demanda, as perspectivas de mercado são boas e esses são os motivos que fazem aumentar a área plantada.
Quanto à provisão de recursos para o EGF, de R$ 460 milhões, Costa disse que o volume permite que se façam estoques. O governo prevê estoques de até 4,5 milhões de toneladas.
Faep quer preço Já a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) acredita que esse volume de recursos permite a estocagem de 3 milhões de toneladas de milho. ‘‘O governo está fazendo as contas de financiar a estocagem sobre o preço mínimo. Mas aqui na região Sul terá que pagar mais para o produtor’’, disse o engenheiro agrônomo Jorge Proença, da Faep.
Apesar disso, Proença avaliou que o programa anunciado é bom e pode promover um bom salto na área plantada. Com as medidas que serão adotadas e o mercado favorável ao milho não será difícil atingir o aumento de 3 milhões de toneladas na safra nacional.
Para gerar esse volume adicional, o plantio precisa ser incrementado em mais um milhão de hectares. ‘‘O que não é difícil se considerarmos que só o aumento da safrinha no Paraná deve incorporar mais 250.000 hectares de área plantada’’, lembrou.

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