Pacote de juros beneficia agricultura
Vânia Casado
De Curitiba
O pacote de redução de juros, divulgado quarta-feira pelo governo, não terá impactos imediatos sobre o setor agrícola porque os juros do crédito rural já são fixos. Mas vai beneficiar o setor a médio e longo prazo, previram ontem analistas de crédito. A expectativa do setor é que o pacote abra espaço para atender a antiga reivindicação, o aumento das exigibilidades bancárias de 25% para 30%, que aumentaria a oferta de crédito, segundo o analista de crédito rural da Seab, Francisco Simioni. O momento, porém, ainda não é de entusiasmo.
Para Flávio Turra, da Ocepar, as medidas do pacote abrem espaço para que os agricultores que não têm acesso ao crédito a 8,75% e 5,7% ao ano, possam fazer financiamentos com taxas mais reduzidas. Ele calcula que pelo menos 2/3 dos agricultores do Paraná estão fora dos financiamentos.
Turra alertou que mesmo com a redução nas taxas de juros, elas ainda devem permanecer muito altas, incompatíveis com a atividade agrícola. De acordo com seus cálculos, mesmo que as taxas de mercado reduzam de 10% ao mês, em média como ocorre no cheque especial, para 5% ao mês, ainda assim elas permanecerão muito altas. Com essa taxa, o custo do financiamento é de 79,6% ao ano, calculou. Para o técnico essa taxa ainda é incompatível com a lucratividade do setor, onde a margem bruta não ultrapassa a 20% sobre o faturamento.
Com a redução do IOF de 6% para 1,5%, o custo dos financiamentos novos podem ser reduzidos de imediato. Mas para quem já tem um financiamento contratado, com taxas de juros pré-estabelecidas, as regras não mudam mais, sendo que o custo permanece alto até o fim, explicou Turra. No caso das dívidas securitizadas, onde o indexador é a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), a tendência é de redução nos juros, porque o indexador vai se adaptar à queda das taxas, acrescentou.
Segundo Simioni, o aumento das exigibilidades bancárias é uma reivindicação antiga do setor agrícola e agora ela pode ser reativada com a proposta do governo federal em reduzir o Imposto Compulsório de 75% para 65%. Na prática isso signfica mais dinheiro em circulação, o que poderia atender toda a demanda do setor agrícola por crédito, explicou. Simioni disse ainda que o alvo do pacote, que é a redução dos spreads diferença entre o custo de captação e do repasse ao tomador final, ainda muito altos, deverá surtir efeito no médio e longo prazo. Portanto, não é imediatamente que o agricultor vai sentir os efeitos desse pacote, justificou.





