Pacote de bondades reduz IPI de produtos da linha branca
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sexta-feira, 02 de dezembro de 2011
Aline Vilalva <br> <br> Reportagem Local 
Quem estava se programando para trocar o fogão, a máquina de lavar, a geladeira ou o tanquinho pode se antecipar e correr às lojas que os preços estão reduzidos. A boa notícia faz parte de um pacote anunciado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que inclui a redução da alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os chamados produtos de linha branca.
No caso dos fogões, o percentual, que era de 4%, passou para zero, enquanto que para geladeiras, a alíquota do tributo passou de 15% para 5% e, para máquinas de lavar, de 20% para 10%. O percentual sobre tanquinhos recuou de 10% para zero. O imposto reduzido, publicado ontem no Diário Oficial, segue até março de 2012.
O diretor comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Marcelo Ontivero, conta que em 2009, quando medida semelhante foi tomada, houve forte estímulo aos varejistas, à indústria e aos consumidores. ''A demanda foi tão intensa, que no início faltaram produtos no mercado, mas depois a indústria se adequou'', lembra.
Tendo como base a redução anterior, Ontivero estima que o volume de vendas registre aumento de pelo menos 30% enquanto valer a medida. ''A procura maior, geralmente, é pelos produtos mais caros, como geladeira e máquina de lavar. Na época, eles registraram crescimento de 40% nas vendas'', diz.
Ele considera o momento propício para o anúncio da medida, visto que no Natal, as pessoas costumam ''renovar'' a casa, trocando móveis e eletrodomésticos para receber as visitas para as festas de final de ano. ''Quando passam as festividades, vêm as liquidações que poderão contar com o estímulo a mais da redução do IPI'', observa.
A expectativa do gerente treinee do Super Muffato da Madre Leônia Milito, Agnaldo Nascimento, é de que haja aumento nas vendas de pelo menos 15% em função do anúncio de redução. ''Normalmente, as pessoas poupam dinheiro durante o ano para trocar esses produtos nessa época e, com o estímulo da redução do IPI, certamente a procura será ainda maior'', prevê.
O economista da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Adilson Antonio Volpi, explica que na medida em que o governo reduz impostos sobre os produtos, incentiva o consumo, favorecendo a manutenção do ritmo da economia. Ele avalia que a redução é uma antecipação governamental para evitar possível redução na produção nacional no próximo ano. ''Como a economia internacional está em crise, o governo está se precavendo para que os eventuais impactos que possam afetar o País sejam menores.''
Volpi acrescenta que, além do efeito imediato, provocado pelo aumento das vendas já no final do ano, a medida mostra que o governo está preocupado com a crise e não vai ficar parado. ''A redução do imposto dos bens faz com que as empresas fiquem menos suscetíveis a fazer aumento de preço; o governo deixa de arrecadar, mas impede que a pressão do custo sobre as empresas seja repassada aos consumidor'', reitera. ''Com isso, é possível manter os preços e até baixá-los'', completa.
A redução no IPI veio em boa hora para a administradora Cristiana Mafessoni. Ela, que está para mudar de apartamento na próxima semana, ficou satisfeita com o anúncio do governo. ''Estava fazendo pesquisa de preços quando a minha irmã me ligou e disse que as alíquotas seriam reduzidas. Para mim, é uma notícia ótima'', comemora.
Como já tem a geladeira, ela está cotando preços de fogão e máquina de lavar. ''Teria de comprar esses produtos de qualquer forma, mas pagaria mais caro, agora, certamente vou economizar'', comenta, satisfeita.



