Quem estava se programando para trocar o fogão, a máquina de lavar, a geladeira ou o tanquinho pode se antecipar e correr às lojas que os preços estão reduzidos. A boa notícia faz parte de um pacote anunciado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que inclui a redução da alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os chamados produtos de linha branca.
No caso dos fogões, o percentual, que era de 4%, passou para zero, enquanto que para geladeiras, a alíquota do tributo passou de 15% para 5% e, para máquinas de lavar, de 20% para 10%. O percentual sobre tanquinhos recuou de 10% para zero. O imposto reduzido, publicado ontem no Diário Oficial, segue até março de 2012.
O diretor comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Marcelo Ontivero, conta que em 2009, quando medida semelhante foi tomada, houve forte estímulo aos varejistas, à indústria e aos consumidores. ''A demanda foi tão intensa, que no início faltaram produtos no mercado, mas depois a indústria se adequou'', lembra.
Tendo como base a redução anterior, Ontivero estima que o volume de vendas registre aumento de pelo menos 30% enquanto valer a medida. ''A procura maior, geralmente, é pelos produtos mais caros, como geladeira e máquina de lavar. Na época, eles registraram crescimento de 40% nas vendas'', diz.
Ele considera o momento propício para o anúncio da medida, visto que no Natal, as pessoas costumam ''renovar'' a casa, trocando móveis e eletrodomésticos para receber as visitas para as festas de final de ano. ''Quando passam as festividades, vêm as liquidações que poderão contar com o estímulo a mais da redução do IPI'', observa.
A expectativa do gerente treinee do Super Muffato da Madre Leônia Milito, Agnaldo Nascimento, é de que haja aumento nas vendas de pelo menos 15% em função do anúncio de redução. ''Normalmente, as pessoas poupam dinheiro durante o ano para trocar esses produtos nessa época e, com o estímulo da redução do IPI, certamente a procura será ainda maior'', prevê.
O economista da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Adilson Antonio Volpi, explica que na medida em que o governo reduz impostos sobre os produtos, incentiva o consumo, favorecendo a manutenção do ritmo da economia. Ele avalia que a redução é uma antecipação governamental para evitar possível redução na produção nacional no próximo ano. ''Como a economia internacional está em crise, o governo está se precavendo para que os eventuais impactos que possam afetar o País sejam menores.''
Volpi acrescenta que, além do efeito imediato, provocado pelo aumento das vendas já no final do ano, a medida mostra que o governo está preocupado com a crise e não vai ficar parado. ''A redução do imposto dos bens faz com que as empresas fiquem menos suscetíveis a fazer aumento de preço; o governo deixa de arrecadar, mas impede que a pressão do custo sobre as empresas seja repassada aos consumidor'', reitera. ''Com isso, é possível manter os preços e até baixá-los'', completa.
A redução no IPI veio em boa hora para a administradora Cristiana Mafessoni. Ela, que está para mudar de apartamento na próxima semana, ficou satisfeita com o anúncio do governo. ''Estava fazendo pesquisa de preços quando a minha irmã me ligou e disse que as alíquotas seriam reduzidas. Para mim, é uma notícia ótima'', comemora.
Como já tem a geladeira, ela está cotando preços de fogão e máquina de lavar. ''Teria de comprar esses produtos de qualquer forma, mas pagaria mais caro, agora, certamente vou economizar'', comenta, satisfeita.

Imagem ilustrativa da imagem Pacote de bondades reduz IPI de produtos da linha branca
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