Num momento extremamente delicado para o futuro da economia brasileira, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial (Bird) iniciam hoje sua reunião anual conjunta em Washington. A coincidência de datas entre o encontro e a crise brasileira deverá fazer com que as negociações de bastidores sobre uma possível ajuda financeira ao País monopolize a maioria dos temas nos mais de 40 seminários, entrevistas e eventos previstos pelas duas instituições.
Enquanto especialistas debatem publicamente a situação financeira mundial, banqueiros, dirigentes das duas instituições e os governos do G-7 (as sete nações mais ricas) negociam com autoridades brasileiras, em Washington e em Nova York, como, quando e em que valor um pacote deverá ser anunciado ao País.
O encontro começa oficialmente hoje, mas os primeiros eventos só ocorrem amanhã, com a divulgação do ‘‘World Economic Outlook’’, documento semestral do FMI com previsões para a economia global. No mês passado, o diretor-gerente do fundo, Michel Camdessus, adiantou que o FMI reduziu sua previsão de crescimento da economia mundial em 1998, de 3% (feita em abril passado) para 2%.
Na sexta-feira, o Banco Mundial divulga seu relatório anual sobre desenvolvimento, o ‘‘World Development Report’’. Camdessus e o presidente do Bird (Banco Mundial), James Wolfensohn, darão entrevistas coletivas na quinta-feira. A partir do sábado, começa o programa de seminários sobre países, regiões e assuntos como corrupção e mercado de títulos. No domingo haverá um
painel somente a situação do Brasil e outro sobre a América Latina.
O porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, disse ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso espera que a reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) defina o formato e os valores disponíveis para o mecanismo que será criado para salvaguardar a economia da América Latina. ‘‘O presidente acredita que, nesta reunião, o FMI avance e dê mais nitidez a esse processo de concertação (sic) proposto pelos países mais desenvolvidos’’, afirmou Amaral.
A expectativa do governo brasileiro é conseguir uma linha de crédito do FMI, uma espécie de cheque especial a ser usado caso continue a sangria das reservas em dólar do Banco Central. O porta-voz disse desconhecer cifras que possam vir a estar disponibilizadas nesse mecanismo.
Ele afirmou que FHC não conhece os valores anunciados na edição de ontem do jornal ‘‘The New York Times’’, que menciona a possibilidade de uma linha de US$ 30 bilhões para o Brasil. ‘‘O presidente não tem números exatos. O que se fala no momento são estimativas, valores que podem ser menores ou maiores’’, disse Amaral. Ele negou que esteja sendo feito acordo para um empréstimo direto ao Brasil nos moldes tradicionais do FMI.

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