São Paulo - Depois de várias declarações desencontradas, o governo está acertando o passo em relação ao pacote de ajuda emergencial ao setor automobilístico que deve ser anunciado nos próximos dias. É certo que haverá queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e financiamentos mais acessíveis. A medida, no entanto, pode não ter o efeito esperado na redução do preço do carro cobrado efetivamente do consumidor.
Concessionárias de São Paulo oferecem hoje modelos com descontos que variam de 10% a 31% em relação aos preços sugeridos pelas fábricas. As lojas têm urgência em reduzir estoques e se livrar das versões 2003, já que a linha 2004 começa a chegar ao mercado. Muitos lojistas afirmam que os preços cobrados hoje dificilmente sofrerão alterações significativas.
''Estamos trabalhando com margem de lucro muito pequena em alguns modelos e em outros sem margem nenhuma'', explica o gerente da revenda Chevrolet Pompéia, Oswaldo Caldeira.
Uma redução do IPI em 3,5 ou 4 pontos porcentuais, conforme o esperado pelo mercado, representaria, no caso de um modelo Mille, o mais barato do mercado, uma redução no preço de tabela de cerca de R$ 715. Na revenda Udivel, o modelo pode ser comprado por R$ 15 mil, uma diferença de R$ 2,8 mil em relação ao valor de tabela. Os descontos são bancados também pelas montadoras, que oferecem bônus mesmo após reajustarem os preços oficiais. Ou seja, os preços de tabela - que serão usados como base para repassar a redução de impostos -, são totalmente artificiais.
FHC - Há um ano, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso reduziu o IPI dos carros populares de 10% para 9%, o consumidor praticamente não viu mudanças. Nos modelos médios (com motor acima de 1.0 até 2.0), a alíquota baixou de 25% para 15% mas o repasse aos compradores não foi integral. ''Naquela época não houve compromisso de repassar a redução aos preços'', lembra o vice-presidente da General Motors, José Carlos Pinheiro Neto.
Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, descartou a possibilidade de redução do IPI sem o benefício do preço para o consumidor. Segundo ele, não há hipótese de o governo trabalhar com qualquer incentivo que não chegue ao consumidor. A questão é que não há como controlar o preço no varejo. Representantes da indústria, entretanto, alegam que a concorrência forçará a queda de preços na boca do caixa.
As empresas também informam que estão antecipando a redução. A Citroën, por exemplo, lançou neste fim de semana campanha anunciando já estar operando com impostos reduzidos para os modelos Picasso e C3, vendidos respectivamente a R$ 42.990 e R$ 33.490. A revenda Volkswagen Primo Rossi usa do mesmo argumento e oferece, por exemplo, o Gol Special a R$ 15.990, valor 21,8% menor que o de tabela. Na Ford Lemar, o Ka é vendido a R$ 15,5 mil, 18,4% abaixo da tabela.

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