Pacote conteve vendas da indústria em 1997
As vendas da indústria brasileira para o comércio tiveram um crescimento de 9,02% em 1997, o que representa um aumento de 3,10 pontos porcentuais em relação ao ano anterior, conforme balanço anual divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Este resultado poderia ter sido melhor - acima de 10% -, caso as medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo em outubro passado não tivessem provocado uma queda de 9,1% em novembro e dezembro de 97 em relação a meses anteriores.
Conforme dados divulgados pelo presidente da CNI, Fernando Bezerra, todas as variáveis pesquisadas entre 3.700 médias e grandes indústrias em 12 estados registraram queda em dezembro, se comparadas com o mês anterior: as vendas reais (já deflacionadas) caíram 2,09% enquanto as horas trabalhadas dimuíram em 3,45%. Não fosse dezembro um mês em que tradicionalmente as vendas caem - porque os grandes negócios para a indústria ocorrem em outubro - a redução, em vez de 2,09%, seria de 9,55%, segundo a CNI.
A queda na atividade industrial em dezembro também afetou o mercado de trabalho. O número de pessoas empregadas na indústria diminuiu 1,47%, registrando a maior queda neste indicador desde agosto de 1995.
Esses dados não comprometeram, contudo, o desempenho anual do setor industrial. Na média do ano, o nível de emprego do setor mostrou recuperação: recuou 3,99% em relação ao ano anterior, enquanto as horas trabalhadas foram 3,09% menores. Ou seja, foram melhores do que em 1996, quando o emprego foi reduzido em 7,4% e as horas trabalhadas em 9%.
Bezerra diz que o resultado positivo de 1997 para o setor industrial foi causado pelo desempenho dos dez primeiros meses do ano, exatamente anteriores ao ajuste fiscal. O crescimento verificado, especialmente no primeiro semestre, segundo ele, fez com que a massa salarial aumentasse em média 1,59% em 1997, um resultado melhor que 1996, quando houve uma queda de 2,2% nesse indicador.
O presidente da CNI alertou que os dados negativos registrados em dezembro no setor industrial continuarão se repetindo nos próximos meses, caso o governo não efetue uma redução mais drástica nas taxas de juros. O maior sacrificado, segundo ele, são o micro e o pequeno empresários, que não têm capital de giro e se socorrem especialmente do cheque especial, pagando taxas elevadas.
O aumento dos juros, que encareceu o crédito, se refletiu imediatamnte no consumo. Em dezembro passado, os setores eletroeletrônico e de automóveis - notadamente este último, que vinha mantendo os níveis de venda da indústria - foram os mais prejudicados. A produção de automóveis, no caso, caiu de 209 mil de unidades produzidas em outubro para 141 mil em novembro e 110 mil em dezembro passado.





