Pacote argentino prejudica Mercosul, segundo Lampreia
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domingo, 17 de junho de 2001
Jacqueline Farid e Sônia Araripe Agência Estado 
A desvalorização do peso para exportações não é compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e poderá prejudicar o Mercosul, avalia o ex-ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. Para ele, a decisão anunciada na sexta-feira pelo ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, fere as regras do livre comércio e é provavelmente ilegal do ponto de vista técnico. No entanto, Lampreia avalia que dificilmente o Brasil vai questionar a Argentina na OMC.
Para que a OMC julgue uma medida é preciso que seja feita uma queixa e não acredito que exista qualquer interesse de dificultar ainda mais a situação da Argentina, avalia. Segundo Lampreia, as definições recentes de Cavallo, como a redução unilateral da Tarifa Externa Comum (TEC) para alguns produtos e a desvalorização do peso são de tal gravidade que a própria existência do Mercosul pode ser questionada. Mesmo assim, ele aposta que o bloco vai sobreviver a esse desafio.
A avaliação do ex-ministro, presidente do Centro de Estudos Brasileiros de Relações Internacionais (Cebri), uma organização não-governamental especializada em economia internacional, é de que os presidentes dos países que compõem o Mercosul vão encontrar uma maneira de garantir que as medidas argentinas sejam temporárias e, desse modo, não comprometam o futuro do bloco. O Mercosul deve estar atento para que as medidas sejam temporárias, alertou.
O diretor da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro, não acha recomendável que o Brasil entre na OMC contra as mudanças argentinas, que poderiam ser vistas como uma espécie de subsídio. Para o Brasil, tudo o que possa vir a melhorar o intercâmbio comercial com a Argentina é um bom negócio. Então, mesmo que faça sentido esse questionamento, acho muito difícil que, oficialmente, seja feito, diz Castro.
Para o coordenador da área internacional do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC) no Rio, Márcio Eduardo Sette Fortes, a decisão anunciada pela Argentina caracteriza prática de subsídio e concorrência desleal.O Brasil tem motivos para ir à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra essa medida, alerta o economista.
Volatilidade A pior consequência para o Brasil das mudanças deverá ser sobre o dólar no mercado financeiro, deverá ficar ainda mais instável, de acordo com a previsão do economista Carlos Thadeu de Freitas Gomes, professor do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais (Ibmec-Rio) e ex-diretor do Banco Central.
Segundo Freitas Gomes, as medidas anunciadas pelo ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, deverão aumentar o clima de incertezas que envolve hoje o país vizinho. Os agentes financeiros internacionais deverão avaliar que uma mudança de câmbio mais contundente poderá vir mais cedo do que se imagina, disse o economista do Ibmec-Rio. A retração nos investimentos diretos para a Argentina deve aumentar, avaliou o economista.


