Pacote argentino pode afetar preço do trigo
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sábado, 16 de junho de 2001
José Maria Tomazela Agência Estado 
As medidas econômicas anunciadas pelo governo argentino trouxeram preocupação aos produtores de trigo do Estado de São Paulo, como deve preocupar também os produtores dos Estados do Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Segundo o gerente administrativo da Cooperativa Agrícola Sul Paulista (Copasul), Sérgio Augusto Cleto, deve ocorrer pressão para aumentar a entrada do trigo argentino no mercado brasileiro. Isso implicará queda de preços, trazendo prejuízos para os agricultores brasileiros. Só os cooperados da Copasul, no município de Itaberá, acabaram de semear 1,2 mil hectares com produção prevista de 40 sacas por hectare. Em todo o sudoeste, incluindo o Vale do Paranapanema, o plantio chega a 6 mil hectares. Sexta-feira, o preço da saca do trigo beneficiado estava cotado a R$ 15,00. No pico da colheita, em outubro, havia a expectativa de comercialização a pelo menos R$ 12,00 a saca. Se a entrada de trigo argentino aumentar os preços internos não se mantêm, avalia Cleto.
O agrônomo da cooperativa, Antônio Luís Peccini, explica que o trigo argentino é preferido pelos moinhos brasileiros por causa da qualidade. A importação supre pelo menos 50% do consumo nacional. A produção interna foi estimulada no início do Plano Real, quando tornou-se mais onerosa a importação. No sudoeste muitos produtores de feijão optaram pela nova cultura. Os triticultores ligados à Copasul vão se reunir na próxima semana para analisar a nova conjuntura. Eles podem pedir ao governo que estabeleça limites para a entrada da produção argentina.


