O mercado não se mostrou muito confiante no novo pacote econômico anunciado anteontem pelo governo argentino e desconfia das regras para reestruturação da dívida do país. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, fixou um teto para o pagamento de juros e diz que pretende trocar os US$ 132 bilhões que o país tem em dívida.
Prova dessa desconfiança é a forte alta registrada pelo risco-país argentino ontem. A taxa, medida pelo índice EMBI+ do banco norte-americano JP Morgan, bateu novo recorde ao atingir os 2.501 pontos básicos.
Esse temor afeta também as negociações com os títulos da dívida do país. O FRB, papel público argentino mais negociado no exterior, tem desvalorização de 8,58%, cotado a 45,94% de seu valor de face.
O mesmo acontece com os papéis emitidos na última megatroca, realizada em maio. O Global 2008, papel de maior liquidez, tem queda de 4,55%, cotado a 42% de seu valor de face, e o Global 2018 -com vencimento em 2018- recua 7,38%, cotado a 37,5% do valor de face.
Na Bolsa de Valores de Buenos Aires, o índice Merval tem queda de 1,30%, somando 226,03 pontos.
FMI O Fundo Monetário Internacional (FMI) estuda o plano de medidas econômicas anunciado anteontem pelo presidente argentino Fernando de la Rúa, que inclui uma reestruturação da dívida pública, informou ontem David Hawley, porta-voz da instituição. ''Estamos estudando'', disse Hawley referindo-se ao plano, e se negou a fazer mais comentários.
O FMI advertiu na quinta-feira, antes do anúncio do pacote em Buenos Aires, que a continuidade de seu plano com a Argentina dependia do cumprimento das metas fiscais e do resultado das negociações entre Buenos Aires e os governos das províncias sobre a distribuição dos ingressos.
A nova carta de intenção do FMI com a Argentina, firmada em agosto, aumentou seu crédito de US$ 13,7 bilhões de dólares a US$ 21,7 bilhões, US$ 3 bilhões dos quais ''disponíveis (de modo acelerado) para apoiar uma operação que melhore a viabilidade do perfil da dívida argentina, voluntária e baseada no mercado''.

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