Pacote agrícola agrada mas mercado é cauteloso
Agência Estado
São Paulo
A criação da Cédula de Produto Rural (CPR) financeira e a possibilidade de sua aquisição por importadores, no exterior, foram bem recebidas no mercado financeiro, mas os economistas ainda não se arriscam a fazer projeções de crescimento desse mercado ou do potencial de recursos em dólares que poderão ingressar no País por meio deste mecanismo.
Para Odair Abate, economista-chefe do Lloyds Bank, os novos mecanismos, criados no pacote agrícola tendem a estimular o financiamento agrícola ao gerar uma proteção adicional a investidores interessados a entrar no negócio. Mas não é possível estimar em que proporção ou em que prazo eles poderão aumentar de fato o financiamento agrícola. Não é algo que ocorra da noite para o dia, disse Abate, explicando que ainda é prematuro fazer projeções sobre as medidas anunciadas ontem.
Para Carlos Kawall, economista-chefe do Citibank, as medidas confirmam a tendência de voltar o financiamento agrícola para o mercado, reduzindo progressivamente a presença governamental, que ocorre via Banco do Brasil. As medidas vão na direção correta de abrir financiamento pelo mercado, tornando o setor menos dependente do governo, avalia. Kawall acredita que a CPR financeira - que elimina a necessidade de liquidação física da operação - será útil para gerar um mercado secundário mais amplo e líquido de títulos agrícolas.
Ele avalia também que a permissão para que importadores, no exterior, comprem os papéis, poderá funcionar, na prática como um adiantamento de contratos de câmbio. Ele acredita que existe um mercado potencial para esse tipo de operação, embora não seja possível estimar um volume de recursos a ser movimentado.





