São Paulo - A implantação da fábrica norte-americana de caminhões DAF em Ponta Grossa foi um dos destaques do primeiro dia do 18º Salão Internacional do Transporte (Fenatran) ontem, no Anhembi, em São Paulo. A marca pertence ao grupo Paccar, que também produz caminhões Kenworth e Peterbilt, voltados para o mercado da América do Norte e de alguns países latino-americanos. Os veículos da marca DAF, que têm importante participação na frota europeia, foram escolhidos para serem fabricados e comercializados também no Brasil devido à preferência histórica do mercado nacional pelos caminhões projetados no Velho Mundo. O grupo vai investir US$ 200 milhões na unidade de Ponta Grossa, que começa a ser construída em novembro e tem inauguração prevista para meados de 2013.
''Estudamos muitas cidades no País, mas nossa decisão por Ponta Grossa é devido à proximidade dos fornecedores de Curitiba e do Porto de Paranaguá, por onde iremos importar peças'', afirma Michael Kuester, diretor comercial da DAF Caminhões Brasil. A fábrica irá importar cerca de 40% dos componentes do veículo, inclusive os motores Paccar fabricados nos Estados Unidos.
De acordo com Kuester, a mão de obra disponível na cidade paranaense também pesou a favor. ''Temos lá duas universidades importantes, que formam muitos engenheiros'', disse o diretor, numa referência à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UFPG) e à Universidade Federal de Tecnologia do Paraná (UFTPR). ''Queremos trabalhar em parceira com essas instituições'', afirma.
Quando estiver funcionando com toda sua capacidade, ou seja, produzindo 20 mil veículos por ano, a DAF irá empregar 500 pessoas diretamente. No primeiro ano, a estimativa é que sejam produzidos apenas mil veículos. Ele não sabe estimar quantos, mas a empresa também irá gerar uma série de postos de trabalho indiretos. ''Temos cinco fornecedores que estão procurando um local para se instalar em Ponta Grossa'', conta. Kuester não quis revelar os nomes.
Os planos do grupo são de fabricar três modelos de caminhão no País: um leve, outro médio, e um terceiro, do segmento extrapesado. ''Nosso carro-chefe será o XF105 (extrapesado), dedicado ao transporte de longas distâncias'', afirma Marco Antonio Davila, presidente da DAF no Brasil.
Segundo ele, a intenção da empresa é se tornar um ''importante participante'' do mercado brasileiro. ''O crescimento do País é extraordinário e isso se reflete no transporte'', justifica. O presidente contou que, quando a fábrica começar a funcionar, espera já ter montado uma rede distribuidora de 100 concessionárias no Brasil. ''Vamos aproveitar a Fenatran para tentar encontrar parceiros para isso''.
Estrutura
O grupo Paccar tem montadoras nos Estados Unidos, Holanda e Austrália e fábricas de cabine e eixos na Bélgica e no Reino Unido. E centros de distribuição nos Estados Unidos, Canadá, México, Austrália, na Europa e em Santiago do Chile. Os representantes da empresa disseram que irão implantar dois centros de distribuição no Brasil: um em São Paulo e outro em Minas Gerais ou no Rio de Janeiro.
Segundo Davila, a Paccar faturou US$ 7,2 bilhões em todo o mundo no primeiro semestre deste ano, tendo crescido 54% na comparação com o mesmo período do ano passado. O lucro líquido dos primeiros seis meses foi de US$ 433 milhões. A participação do grupo no mercado norte-americano de caminhões nos primeiros seis meses de 2011 chegou a 26,7%, um crescimento de 2,5 pontos percentuais na comparação com igual período de 2010.
Na União Européia, a participação da DAF no segmento pesado (mais de 15 toneladas) teve um crescimento que chegou a 15,3% no primeiro semestre deste ano. O objetivo da empresa é o de uma participação de 20% na União Europeia.
* O repórter viajou a convite da Fenatran

Imagem ilustrativa da imagem Paccar investe R$ 200 milhões em fábrica de Ponta Grossa