São Paulo - Mais do que a agenda de divulgação de indicadores, o que está no foco dos analistas nesta semana são dois eventos aqui no Brasil: o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), hoje, e a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2007, que começa amanhã e termina quarta-feira. Para o pacote, a expectativa quase unânime entre os especialistas é de que terá pouco impacto na expansão do País neste ano. Com relação ao Copom, as opiniões estão divididas. Parte acredita que o Banco Central (BC) será mais parcimonioso a partir de agora e reduzirá a Selic em 0,25 ponto porcentual. Outros acreditam que há espaço para um novo corte de 0,50 ponto porcentual. Hoje, os juros básicos estão em 13,25% ao ano.
''O lado positivo do PAC é que deve elevar o investimento público, especialmente em infra-estrutura, e incentivará o investimento privado'', observa Fernando Fix, economista-chefe da Votorantim Asset Management. ''O lado negativo é que não parece ser um instrumento para diminuir os gastos correntes do governo.''
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, a questão do gasto público é fundamental para acelerar o crescimento do País. ''Menos despesas abrem espaço para redução da carga tributária, que, por sua vez, permite mais investimento'', explica. ''O PAC não parece destinado a mexer com essa dinâmica.''
Com relação ao Copom, os dois especialistas divergem. Fix aposta num corte de 0,50 ponto porcentual da Selic, que levaria a taxa básica de juros no País para 12,75% ao ano. Entre os argumentos citados para justificar sua posição, destacam-se a perspectiva de inflação abaixo da meta em 2007 (ele projeta IPCA anual de 3,9%) e a fraca produção industrial. Agostini está entre aqueles que prevêem um movimento mais contido do Copom. ''O BC está muito preocupado com o lado fiscal da economia, que pode ter reflexos sobre a inflação, e precisa fazer um balanço sobre esse período de corte do juro, o mais prolongado desde a criação do comitê, em 1996.''
A expectativa de ambos para a tendência nos mercados é semelhante. Tanto Fix quanto Agostini crêem que a turbulência do início de ano ficará para trás. Na avaliação dos economistas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve retomar o movimento de alta, o juro futuro deve manter-se em queda e o real deve continuar se valorizando.

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