Ovos têm reajuste abaixo da inflação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local 
Daqui a alguns dias os supermercados e lojas de conveniência sofrerão a maior transformação do ano, com a montagem de parreiras para abrigar os tentadores ovos de Páscoa. Para as famílias que ainda estão às voltas com as dívidas feitas com as férias, listas de material escolar, matrículas e impostos de início de ano, a boa notícia é que, de maneira geral, os preços dos ovos de chocolate não sofrerão grandes reajustes, ficando abaixo da inflação. Produtos de grandes fabricantes, como a Garoto e a Nestlé, devem chegar ao consumidor com aumentos entre 3% e 4%, em relação ao ano passado. A linha Dreams da Cacau Show, considerada a maior rede de chocolates finos do mundo, foi reajustada em 5% na região Sul.
Já a Lacta, marca líder do mercado e que este ano comemora 100 anos, terá reajustes em torno de 9%, puxados acima de tudo pelos acordos coletivos dos funcionários das fábricas e preço do cacau. As informações foram divulgadas, em São Paulo, durante entrevista coletiva de diretores da Lacta e no Salão de Páscoa 2012, organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), que reuniu 12 empresas do ramo.
O crescimento da renda da população e o aumento de consumo de chocolate registrado nos últimos anos entre os brasileiros são fatores de otimismo entre os fabricantes. Todos os participantes do Salão têm expectativa de aumento de vendas na Páscoa deste ano, e anunciaram índices que vão de 5% a 28%. As previsões mais otimistas são das indústrias que trabalham em um nicho mais sofisticado do mercado, como o Grupo CRM (que detém as marcas Kopenhagen e Chocolates Brasil Cacau) e a Cacau Show.
''O setor tem crescido no Brasil, apesar das dificuldades. Em 2011 o crescimento foi de 11% em relação a 2010, e para este ano a expectativa é de continuar crescendo'', informou Ubiracy Fonseca, vice-presidente de Chocolate da Abicab. Segundo ele, no ano passado foram consumidas 18 mil toneladas de produtos de Páscoa no País. ''Já somos o quarto maior produtor de chocolate do mundo, atrás somente dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.''
Nos últimos cinco anos o consumo de chocolate entre os brasileiros cresceu 39%, e ainda há potencial para crescer muito mais. ''O consumo médio per capita no Brasil é de 2,2 kg por ano, apenas. Na cidade de São Paulo este índice sobe para 3,8 kg, mas ainda está abaixo de países europeus e dos Estados Unidos'', argumenta o presidente da Abicab, Getúlio Netto.
A Lacta, que detém 37% do share em volume de vendas do mercado brasileiro na Páscoa, tem no interior de São Paulo seu principal consumidor (25,8% do total comercializado pela marca), seguido da região Sul do País (24,5%) e da capital paulista (19%). O Nordeste, que hoje consome 9,6% dos produtos Lacta, é um dos mercados mais promissores, segundo Mariana Perota, gerente de marketing de Páscoa da Kraft Foods Brasil. A multinacional comprou a mais antiga fabricante de chocolate do País em 1996.
Para esta Páscoa, a Lacta criou 16 novos produtos, sendo nove para o público infantil. Para a Páscoa 2012, a empresa anunciou que colocará 2 milhões a mais de ovos no mercado que em 2011, totalizando 27 milhões de ovos. A Garoto informou que vai produzir neste ano 20 milhões de ovos, um aumento de 5% sobre o volume de 2011. Para o gerente executivo de Marketing da empresa, André Barros, o desempenho deste ano está sendo beneficiado pelo crescimento da renda da classe média, que é a faixa da população em que o consumo de chocolate mais cresce. A Nestlé também anunciou um aumento de 5% no volume produzido.
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Kraft Foods Brasil


