Ovos de Páscoa têm reajuste de até 16%
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2002
Rosangela Capozoli Agência Estado 
São Paulo - Os consumidores vão pagar mais caro neste ano pelos tradicionais produtos de Páscoa. Os fabricantes de ovos de chocolate e colombas aumentaram os preços entre 8% e 16% nesta Páscoa em relação ao ano passado. De acordo com o vice-presidente da área de chocolates do Sindicato da Indústria de Produtos de Cacau, Chocolates, Balas e Derivados (Sicab), Getulio Ursulino Netto, o reajuste foi motivado pela elevação nos preços de cacau e chocolate.
Apesar do aumento de custos e da estabilidade do mercado verificada nos últimos três anos, a projeção de Netto é que as vendas desta Páscoa sejam 3% maiores do que as verificadas no ano passado. Do início do Plano Real até 1999, houve crescimento de 54% na produção do setor, que fechou aquele ano em 300 mil toneladas. O volume, então, manteve-se inalterado em 2000 e 2001.
O movimento de estabilidade também foi verificado na Páscoa, cuja produção somou 18 mil toneladas em 2001. A expectativa, segundo o vice-presidente do Sicab, é atingir 18,6 mil toneladas este ano.Embora não haja aumento significativo de faturamento ou de tonelagem, o mercado consumidor cresceu.
Faturamento - O faturamento do setor em 2001 atingiu R$ 2,7 bilhões, dos quais R$ 82,2 milhões provenientes de exportações. Foram comercializados no mercado externo 36,8 mil t, o equivalente a 11% da produção nacional. Apenas na Páscoa de 2001, as vendas da indústria totalizaram R$ 350 milhões. Para este ano, a previsão é de R$ 360 milhões, responsáveis por 13% do faturamento total do mercado.
Empregos e marketing - Para suprir a demanda da Páscoa, foram criados 20 mil novos empregos em todo o País, na indústria e nos pontos-de-vendas. A Nestlé, por exemplo, contratou mais de três mil novos funcionários e investiu R$ 10 milhões em marketing.
A Hersheys do Brasil, do grupo norte-americano Hersheys - que comprou recentemente a divisão de chocolates da Visconti - vai investir R$ 1 milhão em marketing. Também com investimentos totais de R$ 1 milhão para a Páscoa de 2002, a Parmalat do Brasil contratou temporariamente 450 trabalhadores e prevê aumento de 40% no volume de ovos produzidos neste ano.
A Chocolates Garoto cortou para menos da metade os investimentos em marketing, que caíram dos R$ 4,5 milhões no ano passado para R$ 2 milhões neste ano. O volume produzido deverá empatar com as 4 mil t fabricadas no ano passado.
O consumo per capita de chocolates no Brasil é de 1 quilo por habitante por ano, sem considerar o consumo de achocolatados. O País é o terceiro maior fabricante de chocolates do mundo, com a previsão de 340 mil t em 2002, contra as 330 mil t produzidas no ano passado.


