Ovos de Páscoa comuns perdem espaço no mercado
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
As vendas de ovos de Páscoa em supermercados caíram de 20% de todos os chocolates vendidos para o período em supermercados para 16% entre 2012 e 2013, segundo pesquisa do instituto de análise de mercado Nielsen. Entre as causas estão a maior procura por opções mais baratas, como caixas de bombons, e o aumento de preços, que neste ano serão pressionados pela alta do dólar, e a concorrência de chocolatarias.
O custo dos ovos em 2014 deve subir de 5% a 10% sobre o ano passado, segundo os principais fabricantes. A desvalorização do real frente a moeda norte-americana é uma das causas, já que parte dos insumos, como a manteiga de cacau e as embalagens, são importadas e devem pesar de 10% a 15% mais para a indústria do que durante a produção para a Páscoa anterior.
Cenário que faz com que as maiores empresas do setor invistam em inovações e em opções mais acessíveis. A Lacta, primeira colocada no mercado com 37,3% de participação, lançará neste ano uma opção menor do ovo Ouro Branco. O item mais em conta no ano passado era o número 20, com 355 gramas (g), e neste ano será o número 15, com 270 g.
O gerente de marketing de Páscoa da Mondel?z Brasil, Maykon Vieira, afirma que a marca do grupo, Lacta, formatou a campanha deste ano sob os pilares de oferecer produtos acessíveis e de inovar. A principal novidade é um ovo Bis Xtra de um quilo, com adesivos para personalização da embalagem. A previsão, porém, é de distribuir 28 milhões de unidades no ano, o mesmo número divulgado na campanha do ano passado.
Apesar de a Lacta divulgar que chega à temporada com o objetivo de resgatar a tradição dos ovos de Páscoa, Vieira rejeita a tendência de redução no consumo de produtos do tipo. Visão diferente da apresentada pela analista de mercado da Nielsen, Stephanie Biglia, para quem a caixa de bombons tende a ficar ainda mais atraente no período. "O produto é muito importante para Páscoa. As caixas de variedade concentram 40% das vendas no período."
Para o executivo da Mondel?z, o custo maior dos ovos é explicado pela produção, mais artesanal, e pelo transporte, que exige refrigeração. "A Páscoa é o segundo maior evento sazonal para o brasileiro e não se compara dar um ovo de presente com um tablete ou uma caixa de bombons, porque é a única época com ovos", justifica. Ele também não vê problema com o aumento da participação das chocolatarias. "A concorrência é sempre bem-vinda, porque incentiva a indústria a criar novidades para atender melhor ao consumidor."
Há um fator que anima a indústria de ovos neste ano. Como o feriado será no dia 20 de abril, Vieira acredita que o consumidor estará em com mais dinheiro no bolso, depois de pagar todas as contas tradicionais de início de ano. "Muita gente recebe adiantamento de salário no dia 15, o que deve ter um efeito positivo nas vendas."
Novos mercados
Parte da redução da procura por ovos das grandes marcas está ligada ao crescimento das chocolatarias. Levantamento da consultoria Gouvêa de Souza (GS&MD) com empresas do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV) aponta que a previsão é que a expansão no setor seja de 4,7% neste ano e nas redes de franquias, de 20%.
Na Cacau Show, serão 50 produtos nesta temporada, com expectativa de crescimento de 24% e de alcançar R$ 570 milhões em vendas de Páscoa. Em número de chocolates produzidos, a previsão é de alta de 38% sobre a última Páscoa. (Com Agência Estado)


