Ovo substitui carne na mesa
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segunda-feira, 01 de setembro de 2003
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Carolina Avansini
Reportagem Local
Com salário 16,4% menor que há um ano atrás, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro está mudando a fonte de proteína animal das refeições de todos os dias. Em supermercados consultados pela Folha, o consumo de ovos aumentou de 10% a 20% no último mês. No mesmo período, o preço da carne bovina subiu 5% no atacado.
A carne está pesando no orçamento, comentou a recepcionista Aparecida Pascoal dos Santos. Há três meses, ela costumava oferecer carne quatro vezes por semana nas refeições da família. Hoje, cozinha o alimento apenas uma vez na semana. No resto dos dias faço ovo e verduras, disse.
A mesma mudança foi adotada pela auxiliar de cozinha Lola Maria de Jesus. Não dá mais para comer carne todos os dias, reclamou. Segundo ela, a família sente um pouco de falta e reclama quando o ovo vai para a mesa. O segredo é variar a forma de fazer, ensinou.
As duas donas de casa reclamaram que o preço do ovo, apesar de ser menor que o da carne, também subiu. Ontem, a Folha encontrou a dúzia do produto sendo vendida até por R$ 2,49, ante R$ 1,99 no mês passado. Com esses preços, não sei o que vamos comer de mistura, reclamou Aparecida.
Sempre que a carne sobe, aumenta o consumo no setor de hortifrutigranjeiros, comentou Maurício Fernandes, chefe de loja do Fatão. O incremento sentido pelo varejo, porém, ainda não foi observado no atacado. Vendedores que atuam no Ceasa de Londrina informaram que o volume de comercialização se mantém estável há alguns meses. A situação melhorou porque o preço do milho caiu, reduzindo o custo de produção. Mas as vendas continuam iguais, afirmou o produtor Julio Yamada, que também é proprietário de um box no Ceasa.
Para Gustavo Fanaya, economista do Sindicato da Indústria de Carne e Derivados do Paraná (Sindicarne), a tendência observada no varejo é natural. O frango e a carne suína também subiram. O consumidor, que perdeu o poder de compra nos últimos meses, procura a opção mais barata de proteína animal, explicou, acrescentando que o consumo per capita de carne bovina reduziu 5% nos últimos dois anos.
Segundo ele, a alta da carne decorre de um aumento na demanda. Como a secretaria de Agricultura do estado de São Paulo está em greve, os frigoríficos reduziram os abates porque não conseguem inspeção para o produto, melhorando o mercado para os abatedouros de outros estados. Ontem, a arroba do boi gordo no Paraná estava cotada a R$ 60,00, contra os R$ 58,00 da semana passada.


