Rio - O ovo foi o grande vilão da inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de fevereiro. Com o aumento de 26,26% no atacado, o produto foi responsável, sozinho, por mais da metade (0,24 ponto porcentual) no IGP-DI do mês (0,40%). Sem o aumento dos ovos, a taxa mensal não ultrapassaria 0,16%.
No caso do Índice de Preços por Atacado - Disponibilidade Interna (IPA-DI), os ovos impediram uma deflação em fevereiro. O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, disse que se não fosse o reajuste dos ovos, a variação do IPA-DI (que responde por 60% do IGP-DI) seria de -0,03% em fevereiro, e não os 0,39% apurados no atacado, no mês.
Quadros disse que há duas explicações possíveis para o reajuste dos ovos: a mudança de penas das galinhas, que ficam menos férteis nessa época do ano, ou ainda o argumento que ele ouviu de um economista especializado no setor agrícola de que há aumento na demanda por ovos na quaresma, elevando os preços.
O economista destacou também que os ovos sempre sobem de preço em fevereiro e março, mas desde 1997 não era registrada uma elevação tão forte dos preços do produto em fevereiro. ''A elevação do IGP-DI está super localizada em um produto cujos preços tendem a cair daqui para a frente'', disse Quadros.
Ele acrescentou que ''a tendência da inflação é de desaceleração, apesar do aumento pontual de fevereiro. A elevação é extremamente localizada nos alimentos in natura - ovos, e uma meia dúzia de hortaliças.'' No ano até fevereiro, o IGP-DI acumulou alta de 0,74% e em 12 meses, de 10,86%.
Câmbio - Quadros disse que, de acordo com os resultados do IPA-DI de fevereiro, ''a impressão é que a valorização cambial está finalmente produzindo algum impacto sobre a maioria dos insumos (químicos, petroquímicos, celulose e plástico)''. No caso das matérias-primas brutas, por exemplo, a queda se aprofundou de -0,64% em janeiro para -1,10% em fevereiro. Os principais impactos de queda nessas matérias-primas foram dados pela soja (-7,58%) e bovinos (-4,03%).
Segundo Quadros, os dados mostram que a desaceleração é uma tendência no IGP-DI. Segundo ele, além da sazonalidade dos ovos, o IPA sofreu impacto também do reajuste dos óleos combustíveis (5,55%), que são mais sensíveis às oscilações nos preços internacionais do petróleo.
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI, 0,43% em fevereiro ante 0,85% em janeiro) também mostrou tendência de desaceleração, segundo destacou Quadros. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) caiu de 0,75% em janeiro para 0,44% em fevereiro.

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