Ovo provoca alta da inflação
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quarta-feira, 16 de março de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Mesmo elencando os vários benefícios que o ovo pode trazer à saúde, o mercado não consegue lhe tirar a fama de vilão da inflação. Nesse início de março o produto teve alta de 25,09% no atacado. O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) atingiu 0,40% na primeira prévia de março, contra 0,18% do mesmo período de fevereiro.
O aumento de preço é justificado pela baixa oferta nas prateleiras dos mercados. O setor de postura apresenta vários fatores para tentar justificar a alta no preço: desde o clima quente que faz a galinha comer menos e, consequentemente, produzir menos até a troca de penas. Com a oscilação do clima, as galinhas estariam trocando penas forçadamente e, por isso, a produção também seria menor. A Quaresma - período de 40 dias que antecede à Páscoa - seria outro fator para justificar a escassez. Por causa do período religioso diminui o consumo de carne e aumenta o de peixes e ovos, por isso falta produto no mercado.
O presidente da Associação Paranaense de Avicultura (APA) Cláudio César Casagrande, diz que o calor interfere basicamente na classificação do produto, que fica com a casca mais frágil. É que, devido ao calor, a galinha toma mais água e o resultado disso é um ovo com casca frágil, trincada e clara aguada. ''A galinha bota a mesma coisa, o que muda é a classificação'' comenta Casagrande.
Segundo ele, o estado tem uma média de 4,5 milhões de aves que produzem 13,2 milhões de ovos por dia - 270 mil dúzias diariamente. Pelo menos 70% da produção se concentra no Norte do Estado. Boa parte dos produtores entregam o produto em outros estados, inclusive do Nordeste.
''Falam que o preço está alto, mas os custos com a produção também são altos. Pelo menos 70% das despesas é com a ração a base de soja e milho'', reclama Casagrande, lembrando que em 1991 uma caixa de ovos (30 dúzias) comprava sete sacas de milho. Hoje, compra-se apenas duas sacas. ''Para comprarmos as sete sacas de milho teríamos que vender a caixa a R$ 140, isso é inviável. Hoje, vendemos entre R$ 30 a R$ 40 a caixa'', estima o presidente da APA. Segundo ele, nesses últimos dois anos, os produtores tiveram prejuízos significativos. A caixa chegou a ser vendida por R$ 25 enquanto os custos com a produção chegaram perto dos R$ 35.
Outra discrepância na opinião dele é com relação ao preço da ave. Enquanto um pintinho custa em média R$ 1,25 e uma franga em idade de produção R$ 6. A galinha para o descarte (quando não produz mais) é vendida para o abate por R$ 1,00. ''Com uma galinha velha não se compra um pintinho'', observa Casagrande, lembrando que a região de Curitiba já teve 3 milhões de aves e, hoje, está com 400 mil.
O produtor Gilberto Hideo Marutani, que tem uma produção de 320 mil ovos por dia na Granja Marutani na região de Arapongas (55 km a oeste de Londrina) disse que o reajuste de 25%, não supera os prejuízos que o setor amargava nos últimos anos. O gerente administrativo da Granja Fedrigo, também na região de Arapongas, compartilha a opinião. Com uma produção de 54 mil ovos/dia, ele acredita que a escassez do produto seja em razão da exportações. ''Temos trabalhado no prejuízo. Acredito que o mercado não vai comportar esta alta e os preços deverão reduzir novamente'', prevê.


