Ovinos e caprinos em alta no mercado
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quarta-feira, 03 de outubro de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Carne nobre com menor teor de gordura, mercado garantido e boa lucratividade. Este é o panorama atual do mercado de carnes de caprinos e ovinos no Estado. As cooperativas formadas por produtores rurais têm garantido outra fonte de renda a partir da criação animal, comercialização certa e preços estáveis. O resultado é que as uniões já garantiram profissionalização à atividade e aumento do rebanho. Somente na Região Norte do Estado, o número de matrizes de ovinos criadas para fins comerciais saltou de 3,5 mil para 8 mil em pouco mais de um ano.
O assunto foi discutido ontem durante o 2º Rural Tecnoshow, evento promovido pela Sociedade Rural do Paraná. Segundo Ricardo Luca, presidente da Coopercapanna Carnes Nobres (cooperativa formada por criadores de cordeiros da região de Londrina), o produto adquirido a partir das cooperativas garante ao consumidor uma carne inspecionada e legalizada. A união entre criadores foi formalizada em abril do ano passado com 33 cooperados, hoje já são 50. ''Antes os criadores atuavam informalmente, agora conseguimos agregar valor à nossa atividade'', afirma.
Segundo ele, antes da formalização da cooperativa o valor do produto apresentava grandes oscilações e havia concorrência entre os produtores. ''Hoje conseguimos estabilizar o preço e o custo de produção caiu porque compramos os insumos em grande quantidade'', informa Luca. Ele acrescenta que são abatidos somente machos com idade média de quatro a cinco meses com peso de carcaça entre 13 e 18 quilos. A cooperativa abate cerca de 150 animais por mês, que são distribuídos em supermercados, restaurantes e casas de carnes especializadas.
Os cortes mais procurados são pernil, carré e paleta. ''Toda a carcaça é nobre. Com o pescoço, por exemplo, pode ser feito ensopados ou embutidos porque o corte tem muito osso. Mas nunca recebemos queixas sobre a qualidade da nossa carne'', observa. Na Região Sudoeste a cadeia produtiva de caprinos foi estruturada há mais tempo. A Coopercarnes (sediada em Francisco Beltrão) iniciou trabalho há sete anos para desenvolver todas as etapas da produção, desde a criação, linhas de financiamento até o marketing.
''Temos que desmistificar a carne que é macia, leve e de fácil digestão. O resultado é que temos tido boa aceitação'', salienta Tatiana Gonçalves Mezzomo, vice-presidente da Coopercarnes. Na região, a criação de caprinos foi introduzida como uma outra fonte de renda aos produtores rurais. ''É uma criação leve, que utiliza mão-de-obra familiar'', diz Tatiana. Os cabritos são abatidos com cerca de cinco meses, enquanto as fêmeas são utilizadas como matrizes. Em média, são abatidos cerca de 300 animais por mês. Atualmente, a cooperativa conta com 24 cooperados mas a partir do próximo ano a Coopercarnes pretende fazer nova captação de criadores. A meta é atingir 500 cooperados nos próximos 6 anos.
Nutrição - Conforme Ricardo Luca, a carne de cordeiro tem alto valor proteico e baixos índices de colesterol. Ele afirma que a carne é macia, não tem cheiro forte e tem baixo teor de gordura. ''Ainda há muita resistência, têm pessoas que falam que não gostam da carne sem nunca ter experimentado'', afirma. Já Tatiana Mezzomo acrescenta que a carne de cabrito está sendo indicada para pessoas diabéticas ou com problemas cardíacos. ''A carne tem baixo teor de lipídeos, gordura que entope as veias do coração'', afirma.


