O mês de outubro -considerado crítico pelo baixo nível de chuvas- será decisivo para determinar a necessidade ou não de aumentar as medidas de racionamento de energia não apenas no Sudeste e Nordeste, mas também nas demais regiões do Brasil. Mas a atual situação dos reservatórios e a redução de consumo apontam para um futuro otimista.
A expectativa, de acordo com o superintendente da Associação Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Eduardo Pinheiros Santos Tanure, é de que não haja necessidade de medidas emergenciais a curto prazo. ''O cenário está um pouco melhor. Houve mais chuvas do que o esperado e uma redução significativa do consumo'', disse. Com isso, o nível dos reservatórios no Sudeste e Nordeste, segundo ele, está aproximadamente 4% acima do esperado. ''Isso dá certa folga em relação ao cenário crítico imaginado.''
Mesmo que as metas de racionamento não sejam atingidas pelas regiões Sudeste e Nordeste, o Ministério de Minas e Energia não deverá tomar novas medidas. Assim como o ''apagão'' está praticamente descartado, a extensão do racionamento para a Região Sul também não está sendo cogitada por enquanto. Ele enfatizou, no entanto, que ações futuras ainda dependem do nível de chuvas em outubro, considerado um mês crítico. Já em novembro e dezembro, quando entra o verão, as chuvas tornam-se mais frequentes e os riscos tornam-se menores.
Sobre a privatização das companhias de energia, Tanure calcula que mais de 70% do mercado energético no País já é atendido por empresas privadas. Ao mesmo tempo, o Brasil está empreendendo a maior expansão do setor no mundo, com leilões e aumento de redes. Mas para a Aneel, segundo ele, independe fiscalizar uma empresa privada ou pública, já que a associação pratica as mesmas normas e exigências de metas para a qualidade dos serviços para ambas.
Tanure esteve em Curitiba, ontem, para proferir uma palestra sobre o setor de energia para os alunos do curso de pós-graduação em Planejamento, Operação e Comercialização na Indústria da Energia Elétrica, promovido pelo Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec) e Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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