Brasília - A iniciativa de beneficiar o setor automotivo com uma nova renúncia fiscal deverá levar outros setores produtivos às portas do governo nas próximas semanas. Ontem, durante o anúncio do pacote emergencial para as montadoras, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, deu seu sinal favorável à concessão de benefícios semelhantes, desde que possam ''auxiliar na dinâmica da atividade econômica''. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, ressaltou que a central sindical vai apoiar as pressões dos demais setores interessados em favor do alívio dos custos tributários, como têxtil e o eletroeletrônico.
''Ao governo cabe analisar os pleitos que possam ser positivos na dinâmica ecônomica, sem distorcer o processo econômico. Nós não achamos que o crescimento virá de uma série de acordos (setoriais), mas queremos fechar alguns que possam ajudar na dinâmica. Todos no sentido de auxiliar o processo econômico, mas não no sentido de substituir o processo econômico'', afirmou Palocci.
O ministro insistiu que o governo adotou uma ''dezena'' de pacotes de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) desde o início do ano. Os benefícios concedidos para a safra agrícola e para o Moderfrota, o programa de incentivo à modernização de tratores e de máquinas agrícolas, foram ainda maiores que os destinados ao setor automotivo, disse. Até o final do mês, o governo deverá anunciar nova medida que terá impacto na cadeia automotiva - o Modercarga, o programa de incentivo à renovação de caminhões em circulação no País, baseado em linhas mais acessíveis de financiamento.
O amparo de setores produtivos delibitados pelo ambiente recessivo com medidas fiscais tomou corpo com as pressões empresariais, sindicais, dos partidos de oposição e dentro do próprio governo em favor da retomada da atividade econômica. ''A idéia é tornar o governo um balcão de segmentos produtivos. Quando não há uma política geral orientada para o crescimento, a gente tem de atuar no varejo'', afirmou Paulinho.

mockup