Outros culpados: negligência e contrabando
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de outubro de 2005
Fabíola Salvador e <br>Lu Aiko Otta<br>Agência Estado 
A falta de controle sanitário na fronteira lança suspeita sobre outro grupo: os sem-terra que vivem na região e têm algumas cabeças de gado. Eles poderiam ter trazido animais doentes do país vizinho. Zeca do PT não descartou essa hipótese e disse que tudo está sendo investigado.
No governo, a versão preferida é de negligência dos produtores. O presidente Lula afirmou que cabe aos pecuaristas a responsabilidade número um pela sanidade dos rebanhos, afirmação reiterada por seu assessor para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. ''Um produtor com 500 cabeças de gado não pode gastar R« 800,00 com as vacinas? Se tivesse vacinado, o foco não teria aparecido'', afirmou.
Outra suspeita que pesa sobre os pecuaristas é de ter comprado gado paraguaio, mais barato que o nacional. Os animais chegam com certificados de vacinação, mas os próprios criadores da região põem em dúvida a veracidade dos documentos.
Os pecuaristas justificam seu ''pão-durismo'' com os baixos valores que recebem pela produção. Nesse caso, a culpa seria dos exportadores. As suspeitas avançam pelo campo científico. Os proprietários da fazenda Vezozzo, onde surgiu o gado doente, possuem certificados de que vacinaram seus animais. Por isso, o Ministério da Agricultura considera a hipótese de a vacina não haver funcionado devido a má qualidade ou não ter sido estocada na temperatura correta.
Outra suspeita é que tenha aparecido uma variedade mutante do vírus, imune às vacinas existentes no mercado. Essa possibilidade, porém, perdeu força. Segundo o presidente do Fórum Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, o vírus encontrado em Mato Grosso do Sul é da variedade O1 positivo, que já foi detectado outras vezes no País, assim como no Paraguai e na Argentina. (Colaboraram: Rosa Costa e Denise Chrispim Marin)


