Ousando com segurança
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quinta-feira, 22 de junho de 2017
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

O Certificado de Operações Estruturadas (COE), autorizado no Brasil em 2010, vem ganhando espaço num mercado financeiro contaminado pelos escândalos políticos que derrubam as ações das companhias nacionais. Por meio dos COEs, o investidor consegue apostar em ativos dentro e fora do país, sem complicação. Pode buscar, por exemplo, a rentabilidade de índices das bolsas internacionais, de cestas de ações de empresas estrangeiras, das taxas de câmbio, entre outros indicadores. E o que é melhor: se preferir, não põe em risco o valor aplicado.
Segundo a integradora do mercado financeiro, Cetip, os COEs se dividem em dois tipos principais: de valor nominal protegido e de valor nominal em risco. No caso dos primeiros, se os papéis aos quais estão atrelados se desvalorizarem, o investidor terá garantido ao menos o valor investido. No segundo, ele pode ter perda, inclusive, de todo o capital investido. Mas, há alguns COEs que, além de garantir o valor investido, oferecem uma taxa mínima de retorno.
Sócio da Fort Investimentos, Gabriel Vansolini Soldado, de Londrina, dá como exemplo COE que distribui para seus investidores: "No vencimento (em cinco anos), o investidor vai receber o valor principal, mais uma taxa fixa mínima de 24%, mais a rentabilidade do índice S&P500 ( indicador das 500 maiores companhias dos Estados Unidos)", afirma. Na hipótese do S&P500 ter se desvalorizado no período, o investidor recebe o valor investido acrescido dos 24%. Mas, se o índice norte-americano subir 50%, por exemplo, o COE vai devolver o valor aplicado, mais a taxa minima de retorno de 24% mais a variação positiva de 50% do S&P500.
A maioria desses ativos, segundo Soldado, tem prazo de vencimento superior a dois anos e valor mínimo de R$ 15 mil. Ele explica que os papéis são emitidos por bancos nacionais ou estrangeiros e têm a Cetip agora incorporada pela BM&F Bovespa - como custodiante. Além disso, informa que os COEs são ativos parecidos com as Notas Estruturadas, muito populares nos Estados Unidos e Europa. Para Soldado, uma das principais vantagens dos COEs é permitir que o investidor local possa apostar em ativos estrangeiros sem o risco da variação cambial. "Fica apenas com o risco do desempenho das ações. Se o dólar sobe ou desce, tanto faz para ele", declara.
Bruno Carvalho, da Guide Investimento, afirma que há muitas possibilidades para o emissor montar um COE. Ele conta que a corretora paulista ofereceu aos seus clientes recentemente três tipos: um atrelado às ações das empresas do megainvestidor norte-americano Warren Edward Buffett; outro vinculado às gigantes da tecnologia (Netflix e Facebook), e outro ao DAX, índice da Bolsa Alemã. Todos eles com prazo de dois anos. "São uma oportunidade para o investidor buscar rentabilidade expressiva sem necessariamente se expor a riscos", afirma. Ele lembra, no entanto, que há COEs que não garantem o capital investido. Caso o papel ao qual está atrelado tenha grande desvalorização, a pessoa pode até perder tudo que investiu.
O professor da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Guilherme Ribeiro de Macêdo, acredita que o COE é uma boa oportunidade para o investidor no atual cenário. Segundo ele, mesmo na modalidade de valor nominal em risco, o título atende os perfis mais conservadores. "As pessoas que antes receavam acessar algum mercado específico têm a possibilidade de alcançar uma remuneração diferenciada, estabelecendo um limite de perda no investimento", afirma. Ou seja, neste produto, o investidor pode travar o valor a partir do qual não aceita perder.

IMPOSTOS
O COE é composto por ativos de renda variável e renda fixa. Se o investidor aplicasse nos ativos separadamente estaria sujeito a tributação maior, nas duas modalidades. Já, aplicando em um COE, terá uma tributação menor, com incidência única sobre o ganho, de acordo com a tabela regressiva de imposto de renda.
A Cetip chama a atenção para o fato de que a empresa que distribui o COE deve observar as regras de "suitability". Ou seja, precisa fazer um questionário de análise do perfil do investidor para avaliar se o produto é adequado a ele. "É fundamental que o investidor leia o Documento de Informações Essenciais (DIE) do COE no qual está investindo", ressalta. Ele lembra que o ativo não conta com garantia de R$ 250 mil do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como os ativos exclusivamente de renda fixa.



