Curitiba - O ouro teve uma valorização de 23,01% neste ano e de 6,98% só em setembro. Nos últimos 12 meses, o metal registrou uma alta de 39,97%. E, ontem, em apenas um dia teve alta de 1,5% e fechou com a cotação em R$ 101,50 o grama.
As perspectivas são de que o ouro pode voltar a ser negociado perto de US$ 2 mil por onça-troy (31,1 gramas) no final deste ano, segundo a consultoria Thomson Reuters GFMS. A previsão é que a demanda pelo metal para investimentos deve aumentar, devido a intensificação da crise em países desenvolvidos. Ontem, a onça-troy ficou em US$ 1.783.
Segundo o chefe global de análise de metais da Thomson Reuters GFMS, Philip Klapwijk, o contágio da crise dos países da zona do euro e o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos afetaram os mercados pelo mundo.
De acordo com ele, a manutenção de baixas taxas de juros, os temores de aumento da inflação nos países desenvolvidos e a manutenção de preços altos nos emergentes são outros fatores que podem continuar impulsionando a demanda pelo metal para investimento, considerado seguro em tempos incertos.
''Nas crises o ouro é um ativo financeiro que funciona como um instrumento de defesa para os investidores'', disse o sócio da empresa de consultoria e gestão de recursos Inva Capital e doutor em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luciano D'Agostini. Segundo ele, geralmente, em períodos de crise, a cotação do metal sobe bastante.
Agora, o aumento da cotação do metal pode ser explicada pela crise de confiança do mercado financeiro, pela elevação da inflação nos países emergentes e pela crise da dívida soberana na Europa (títulos públicos emitidos por países periféricos da zona do euro como Grécia, Portugal, Irlanda, Itália e Espanha).
Segundo ele, a valorização do ouro ocorre em momentos que há crise de confiança, de liquidez ou de inadimplência. Agora, o momento é de crise de dívida soberana, que começou na Grécia. São países endividados em relação ao seu próprio Produto Interno Bruto (PIB). D'Agostini explica que o momento atual é de ''uma crise ainda dentro da crise de 2008''. Ele acredita que esse cenário de incertezas deve se estender ao menos pelos próximos três ou cinco anos nos Estados Unidos e na Europa.
Ele prevê que, nos próximos meses, o interesse pelo ouro deve aumentar. No entanto, a dica é não investir todos os recursos só neste ativo, mas diversificar as aplicações.
A aplicação pode ser através de uma corretora de títulos e valores mobiliários na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O investidor pode fazer um contrato de ouro na bolsa com lote padrão de 250 gramas, o que daria R$ 25.375, já que o grama fechou ontem em R$ 101,50. Na data de vencimento do contrato, o investidor tem a possibilidade de receber em dinheiro ou em ouro. A BM&F disponibiliza também o contrato fracionário de ouro de 10 gramas que custaria cerca de R$ 1.015,00.
O consultor Raphael Cordeiro lembrou que também é possível comprar ouro por meio de ourives. No entanto, é preciso escolher um profissional de confiança.
Há ainda algumas corretoras que vendem o metal físico em forma de barrinhas ou folhas de ouro. A corretora OM D.T.V.M tem sede em Minas Gerais, mas mantém um escritório em Curitiba. Através desta empresa é possível adquirir o produto a partir de 1 grama.

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