São Paulo - O ouro foi o investimento que deu o maior retorno no mês de julho: 3,49%, de acordo com levantamento da consultoria Economática. Em segundo lugar, ficaram os fundos de renda fixa, com rendimento médio de 1,25%; depois, vieram os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), com até 1,24%.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) continuou se recuperando do tombo de maio, quando perdeu 9,5%, e seu principal índice avançou 1,22% no mês passado. Segundo levantamento da Economática, dentro do Ibovespa, a ação mais rentável do mês foi Perdigão (ON), com valorização de 25,58%. A elevação do preço é explicada pela oferta de compra das ações da Perdigão pela Sadia, mas que foi rejeitada. Em segundo lugar ficou a CCR (ON), com alta de 15,54%, seguida por Unibanco (Unit), 10,35%. A maior queda ficou com a Braskem (PN), de 14,97%.
O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) teve retorno de 1,17% e a poupança rendeu 0,68%. O dólar comercial subiu 0,46% e o euro recuou 0,38%.
Na segunda-feira, o grama do ouro era vendido a R$ 44,50 na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Na década de 90, era bastante comum a aplicação em ouro no Brasil, por causa da hiperinflação que corroía o dinheiro, mas atualmente ela só é acessível a grandes investidores institucionais, porque o mercado tem baixa liquidez e é extremamente técnico. ''A pessoa física deve procurar fundos de investimento que apliquem parte de seus recursos em ouro'', afirma André Luiz Nunes Silva, diretor da Associação Nacional do Ouro (Anoro).
O ouro também lidera o ranking no ano, com rendimento de 15,28%. Como é cotada no mercado internacional, a commodity teria registrado valorização ainda maior se o dólar não tivesse caído ante o real nos últimos meses -em 2006, a baixa da moeda é de 6,4%.
''O ouro está em ciclo de alta desde a queda das Torres Gêmeas nos Estados Unidos, em 2001'', diz Silva. ''Isso se deve ao aumento do risco geopolítico no mundo. A Coréia do Norte está fazendo testes de mísseis, o Irã se recusa a abandonar seu programa nuclear, e agora é a guerra de Israel contra o Hizbollah.''
O ouro é procurado por ser o investimento mais seguro em tempos de incerteza. ''Por exemplo, se você morasse no Líbano e tivesse colocado em um banco todo o seu dinheiro, o que aconteceria caso esse banco fosse bombardeado e simplesmente acabasse? Você não teria mais nada. Porém, se os recursos estivessem em ouro, guardados em casa, eles ficariam intactos'', explica Silva.

mockup