Curitiba - Os investimentos em ouro são atrativos para grandes investidores que queiram variar as aplicações em médio prazo. A opinião é do contabilista e professor de finanças da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Mauro Halfeld. ''Investir em barras de ouro é sempre positivo para quem queira uma aplicação de dois ou três anos. Mas não se pode colocar todo o patrimônio nesse tipo de investimento, que é de risco. Afinal, o ouro tem altas em meio a crises econômicas'', ponderou Halfeld. Ele lembrou que no final do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 2002, o ouro foi o campeão de rentabilidade nos investimentos. Mas apresentou queda em 2003 e 2004, com a estabilidade econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Halfeld lembrou que o adequado é investir diretamente no BM&F e nunca em jóias, já que o cliente acaba comprando e pagando pela arte realizada na jóia. ''A jóia serve como um presente belo, uma lembrança. Não pode ser um investimento. Para investir adequadamente, deve-se usar a compra de barras de ouro'', declarou o professor. Para investir em barras de ouro, o investidor precisa fazer uma aplicação mínima de R$ 10 mil. ''Quem tem como fazer grandes investimentos, precisa pensar em variedade e o ouro como o dólar é uma boa opção''. A última cotação do mercado financeiro contabilizou valor de R$ 33,70 o grama, com queda de 0,88% no BM&F. Já na Comex de Nova York, o ouro está cotado a US$ 440,50 a onça troy, com alta de 0,11%.
Apesar do professor de finanças não sugerir a compra de jóias como investimento, tem gente que consegue sair do ''aperto'' de uma crise usando o penhor da Caixa Econômica Federal. Segundo a Caixa, essa operação de crédito fechou o ano de 2004 com R$ 4,1 bilhões em créditos concedidos em todo o Brasil, R$ 23 milhões a mais que no ano anterior. Do total aplicado em 2004, R$ 452 milhões foi somente em contratos novos. Em 2005, a estimativa é oferecer R$ 4,48 bilhões em crédito.
O empréstimo corresponde a 80% do valor de avaliação do bem, não podendo ultrapassar R$ 15 mil. A taxa de juros varia de acordo com o valor emprestado e a tarifa de contratação de acordo com o valor da avaliação. Se o valor do empréstimo for inferior a R$ 300, a taxa de juros é de 2,60% ao mês; acima disso, de 3,25% mensais.
O contrato pode ser feito em até 120 dias e o cliente pode renová-lo quantas vezes quiser, pagando os juros pré-fixados para o novo período e as taxas. O valor emprestado é entregue na hora. Ainda conforme a assessoria de imprensa da Caixa, uma pesquisa mostrou que o penhor de jóias é usado na maioria das vezes para o pagamento de dívidas pessoais.
Enquanto investidores pensam na melhor rentabilidade do ouro, uma joalheria promove uma grande negociação para melhorar as vendas nessa época do ano, em que o segmento não encontra uma data de apelo forte como Natal e Dia das Mães. Em Curitiba, desde a semana passada, a H. Stern está promovendo o Trunk Show. Durante este período, a joalheria aceita o ouro de jóias usadas como parte do pagamento de peças novas. Todas as jóias estão sendo aceitas: desde alianças antigas até brincos que já estavam esquecidos dentro das gavetas dos clientes.
Os clientes que levam suas jóias para troca pesa o ouro numa balança de alta precisão. O valor de mercado é aplicado para a compra de uma nova peça. Segundo a gerente de uma das lojas, as vendas do Trunk Show quase se igualam às do Natal. A promoção começou há 30 anos e, no início, durava apenas um dia. Hoje, dura uma semana em cada loja. (Colaborou Adriana De Cunto)

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