Otimistas sim, mas com cautela
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Rubens Chueire Jr.<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O nível de otimismo do empresário industrial paranaense para 2012 é o menor registrado nos últimos três anos, mas ainda é positivo. A 16. Sondagem Industrial divulgada ontem, pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) mostra que a expectativa dos empresários para o próximo ano ficou em 76,95%, abaixo dos 86,42% anunciados em 2010. Apesar do aumento de 6,50% nas vendas industriais até outubro, a velocidade de expansão vem caindo mês a mês, o que se reflete no estado de espírito do empresariado para o próximo ano.
Esta queda se deve a um acúmulo de questões que vão desde os limites nos ganhos de produtividade alcançados pela maior abertura comercial, arrefecimento do crédito para consumo, elevadas cargas tributárias e enormes gastos com encargos sociais. Além disso, destaca a Fiep, a indústria continua a enfrentar apreciação do Real, cujo câmbio no mês de novembro, época em que a pesquisa foi realizada, ainda apresentou cotação média sobrevalorizada de R$ 1,79, facilitando as importações e criando entraves competitivos às exportações.
De acordo com a sondagem, nos últimos nove anos (2003 a 2011), o aumento do crédito pessoal chegou a 880%, crescendo acima dos empréstimos concedidos a pessoas jurídicas (288%), o que, segundo a Fiep, evidenciou o descompasso entre os estímulos à demanda e os incentivos à produção doméstica, cujos efeitos começam a ser percebidos, seja sobre a elevação de pressões inflacionárias, ou sobre o fluxo de importações de bens finais de consumo.
''Essa variação no otimismo é perfeitamente compreensível. Segue sendo uma expectativa positiva mas com cautela. Claro que com tanta notícia ruim é normal isto acontecer. Você vai dormir com a Bolsa de Valores caindo, e acordo com a Bolsa de Valores caindo novamente, como é que o humor vai estar em alta? Apesar de tudo isso, muitos investimentos de multinacionais continuam ocorrendo no País e no Paraná. Talvez o capital internacional motive os industriais paranaenses a rever as perspectivas para os próximos anos'', aponta o presidente da Fiep, Edson Campagnolo.
Investimentos
Entre os industriais otimistas, 40,57% indicam que ocorrerão novos investimentos, 38,99% apostam num aumento das vendas, enquanto apenas 20,44% acreditam que haverá crescimento do emprego no setor. Do total de investimentos a serem realizados pelas empresas paranaenses, a maior parte será destinada com o objetivo de ampliar a produtividade (48,05%). Logo em seguida aparece a modernização tecnológica (46,83%).
Concorrência
Apesar dos ganhos de produtividade, o empresariado do Estado aponta vários empecilhos para enfrentar a concorrência. O principal problema apontado foi a alta carga tributária. 75% alegam que este é o principal entrave no desenvolvimento da indústria para enfrentar a concorrência no mercado interno. Em segundo aparecem os encargos socias elevados (62,44%) e mão de obra não qualificada (34,39%). ''Já pedimos algumas alterações mas nada foi feito de concreto. Batemos na porta do governo federal e pedimos reformas. Seria necessário diversas reformas: tributária, trabalhista, fiscal, previdenciária. Com isso o setor industrial continua tendo dificuldades'', completou Campagnolo.



