A inflação está sob controle. As palavras de alívio vêm do ex-ministro da Fazenda e economista Maílson Ferreira da Nóbrega, que esteve ontem em Londrina para participar de um evento promovido pelo Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap). Ele falou com exclusividade à FOLHA sobre a alta de preços dos últimos meses que está assustando o bolso do brasileiro.
Na opinião de Nóbrega, que ocupou o Ministério da Fazenda no final dos anos 80, durante o governo de José Sarney, não há motivo para preocupação, já que o governo mantém o controle sobre a inflação e a alta momentânea nos preços trata-se de um fenômeno mundial. ''Nem fugiu nem vai fugir do controle. A inflação está subindo em todo mundo e é bom que no Brasil as pessoas se preocupem. Antigamente, alguns políticos até diziam que a inflação era o combustível do desenvolvimento. O Brasil pagou um preço muito alto por estes equívocos e, aos primeiros sinais de aumento de preços, as pessoas se preocupam'', afirma o economista.
A previsão do ex-ministro é que a taxa de inflação ultrapasse o limite da ''margem de tolerância'' de 6,5%, mas não deve ficar distante deste teto. Segundo ele, a taxa começa a baixar já no final do próximo ano, voltando para a meta do governo em 2010, quando ''o Brasil terá que agradecer ao trabalho do Banco Central e à coragem do presidente Lula''.
Apesar do elogio, Nóbrega analisa que o governo não está totalmente no caminho certo, e critica a falta de atitude com relação à redução significativa dos gastos públicos. ''Aí o setor público daria sua contribuição à redução da demanda. Infelizmente, isso não está sendo feito, então esta redução tem que vir das famílias e das empresas. Mas é melhor do que perder o controle da inflação e jogar fora esta grande conquista da sociedade brasileira'', pondera.
Para o ex-ministro, a autonomia exercida pelo Banco Central nos últimos anos tem sido fundamental na garantia da estabilidade da economia brasileira. ''O BC toma decisões, por maiores que sejam os protestos. Mais do que isso, está se sobressaindo entre os países emergentes como aquele que foi capaz de perceber o momento adequado de começar a agir preventivamente para evitar que a inflação atingisse níveis indesejáveis. A teoria e a experiência mostram que o custo da demora em enfrentar um processo inflacionário é muito maior do que aquele decorrente de uma medida tomada no tempo certo''.

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