Otimismo ronda comércio de artigos natalinos
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terça-feira, 18 de novembro de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Otimismo é, com certeza, a palavra-chave deste Natal em todo Brasil. Indústria e comércio apostam no aumento das vendas e consumidores esperam ansiosos pelo novo ano. A decoração antecipada de casas e lojas comprova essa animação em Londrina. A empresária Tânia Galvão, dona de uma loja especializada em artigos para decoração já vendeu 60% mais em relação ao mesmo período e a expectativa é dobrar o resultado de 2002.
Segundo Tânia, o segredo foi a diversificação dos artigos e a negociação com os fornecedores. ''Temos produtos de R$ 1,99 a R$ 300,00 e a média de gasto por cliente tem variado entre R$ 50,00 e R$ 100,00'', diz a comerciante que lamenta o fato de ainda não poder abrir a loja à noite. Outra empresária que está super-satisfeita com a proximidade do Natal é Kátia Santos que, este ano, ampliou o espaço dedicado às árvores, festões, bolas e outros adereços. A loja de Kátia iniciou a venda de artigos natalinos na segunda quinzena de outubro e desde então o movimento de clientes é constante.
Segundo a empresária, 80% das pessoas que entram na loja fazem uma compra que custa, em média, R$ 150,00. ''Este é, praticamente, o nosso primeiro Natal e até o momento as vendas tem sido muito boas. Acho que as pessoas querem curtir esse clima de festa por mais tempo na esperança de um ano melhor'', opina Kátia.
Segundo a estudante de Biologia Ana Beatriz Pegoraro, a decoração da casa é uma tradição em sua família. Todo ano, ela renova alguns adereços que, às vezes, traz de outras cidades. Para a professora aposentada Maria Aparecida Felizola, os enfeites são importantes porque alegram o ambiente e marcam uma data importante do ano. Embora diga que as crianças são as mais animadas, Maria Aparecida confessa que, às vezes, a criatividade e a beleza dos artigos natalinos fazem os adultos voltar no tempo.
Quem não espera muito deste Natal são os proprietários de viveiros de plantas que a cada ano vendem menos pinheiros e tuias. Noé da Silva disse que a produção no Paraná não compensa como antigamente devido à concorrência com Santa Catarina e com as árvores artificiais. Segundo ele, um pinheiro leva, no mínimo, oito anos para atingir 1,20 metro de altura e o retorno não cobre os gastos. ''Trabalho com mudas e jardinagem há 34 anos e esta é a última vez que planto pinheiros'', disse o funcionário público aposentado.
Lindinalva Cavalcante Kuhnlein, dona do viveiro Erich Paisagismo, é menos pessimista. Atualmente, sua família cultiva cerca de 500 tuias numa chácara no distrito da Warta (zona norte) que, em sua maioria, vão enfeitar escolas e estabelecimentos comerciais. De acordo com Silva, a jardinagem não sobreviveria sem o lucro do paisagismo que está diretamente atrelado a modismos. Para ambos, a troca da árvore natural pela artificial é um consequência da crise econômica e do desapego aos valores que, no caso da árvore, é a vida.


