O mercado de ações deu continuidade ontem, e com redobrado vigor, à valorização retomada no pregão de terça-feira, quando interrompeu uma coleção de quatro baixas seguidas. A Bolsa de São Paulo fechou os negócios com alta de 7,02%, a maior em apenas um dia desde 13 de novembro, que anulou numa só tacada a perda acumulada no mês e levou a Bolsa paulista a rodar com discreta alta de 0,52% em junho, até agora. O esticão da Bolsa foi escorada por um crescimento também do volume financeiro, que pulou de R$ 544,668 milhões, da véspera, para R$ 869,050 milhões, uma expansão de 59,6%.
As Bolsas brasileiras, nas esteira das internacionais, reagiram positivamente à movimentação dos governos dos Estados Unidos e do Japão para conter a tendência de queda livre do iene, a moeda japonesa, em relação do dólar. A atuação conjunta dos bancos centrais dos dois países, com a venda de dólares e compra de ienes nos mercados de câmbio internacionais, assegurou continuidade à reação do iene iniciada no dia anterior, com a notícia de que o vice-secretário do Tesouro norte-americano, Lawrence Summers, estará no Japão hoje para discutir a crise econômica do país.
De uma faixa entre 142 e 143 ienes por dólar, no fechamento de terça-feira, a moeda japonesa respondeu rapidamente à ação dos bancos centrais e chegou ao nível de 137 a 138 ienes por dólar. Os sinais de firme recuperação do iene combinados com a clara disposição dos governos norte-americano e japonês de defender a moeda japonesa levaram a uma reversão de expectativas do mercado em relação à crise econômica nos países da Ásia. A reação do iene afasta um dos principais temores do mercado, o de que, na esteira da persistente queda do iene, a China desvalorizasse o yuan, a moeda local, para manter a competitividade dos produtos chineses no mercado internacional.
A maioria das Bolsas asiáticas fechou com vigorosas altas, reagindo à melhora de expectativas. A da Coréia do Sul valorizou-se 8,50%; a de Hong Kong, 6,35%; a da Tailândia, 6,02%. A Bolsa do Japão traçou curva inversa e apurou ligeira baixa de 0,03%, pressionada pela queda das ações do setor bancário. A Bolsa da Rússia também fechou com valorização de 5,83%. Entre as européias, a de Frankfurt avançou 2,11%; a de Paris, 1,64%; e a de Londres, 1,82%.
As Bolsas asiáticas e européias não subiram sozinhas. A de Nova York chegou a cravar alta superior a 230 pontos para chegar ao fim do pregão com avanço de 164,17 pontos ou valorização de 1,89% no dia.
A arrancada das Bolsas domésticas foi puxada pela firme valorização dos papéis de primeira e segunda linha. Dentre as blue chips, o lote de mil ações preferenciais nominativas (PN) de Telebrás valorizou-se 7,26%, cotado por R$ 128,50; o de ordinárias (ON) subiu mais, 9,39%, para R$ 99,00. Eletrobrás PNB avançou 7,54%, para R$ 38,50, e Petrobrás PN, 5,29%, para R$ 219,00.

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