Otimismo predomina no cenário econômico
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segunda-feira, 01 de janeiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
O mercado financeiro dá largada ao novo ano com renovado otimismo. Um sentimento que se traduz na aposta em recuperação da bolsa, declínio das taxas de juros e relativa estabilidade das cotações do dólar. O otimismo está escorado, internamente, na expectativa de crescimento econômico e corte dos juros básicos pelo Banco Central e, externamente, pela possível redução do juro básico norte-americano, acenada pelo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Alan Greenspan, e desaquecimento moderado da economia dos Estados Unidos.
A previsão do mercado, se estiver correta, sugere que está aberta a temporada para a diversificação de investimentos. Juros em queda tendem a achatar o rendimento da renda fixa e o investidor que quiser ganhar mais terá de correr maior risco aplicando parcela mais ampla de recursos no mercado de ações. A torcida é grande, mas para alguns analistas, como o diretor de Renda Variável da BankBoston Asset Management, Julio Ziegelmann, é preciso adicionar uma pitada de cautela ao otimismo do mercado.
Segundo ele, é preciso saber primeiro a quantas vai andar a economia norte-americana. O início do ano poderá ser complicado se houver percepção de que economia dos EUA está desaquecendo além da conta. Ziegelmann comenta que o crescimento da economia despencou de 8,50% no último trimestre de 1999 para estimados 3% no último trimestre deste ano, um freio imposto pelas seguidas altas das taxas de juro.
Uma ação do Fed que corte o juro e mantenha a expansão econômica em 3%, ritmo que evita a recessão e não pressiona a inflação nos EUA, desenharia um cenário ideal para o mercado doméstico. Nesse caso, o Brasil seria o grande beneficiado pelo fluxo de investimento estrangeiro entre todos os países emergentes, afirma.
O diretor da BankBoston prevê que, entre janeiro e fevereiro, deverá ficar mais claro se a política do Fed vai conter a desaceleração exagerada da economia norte-americana.
O sócio-diretor da ClickInvest, Gabriel Jafet, aposta em um primeiro semestre muito bom para o investimento em ações por causa da migração de recursos da renda fixa para a bolsa. Mas tanto Jafet quanto Ziegelmann temem um aumento de instabilidade no segundo semestre por causa de especulações sobre a eleição presidencial de 2002.


